domingo, 21 de fevereiro de 2010

O meu gostar de vocês


sinto falta da asa protetora que eu tinha na minha frente, sinto falta do "é assim que se dá o primeiro passo", vocês são as pessoas que me constroem, que ligam cada órgão meu, que me dão forças. que seria de mim sem vocês? posso dizer que odeio algumas atitudes de vocês, algumas foram para o meu bem, isso não tenho dúvida alguma, mais me dói muito outras atitudes de vocês. não troco uma segunda-feira do lado de vocês de jeito nenhum, nem que seja por singelos 10 minutos, mas eu não troco. queria que fossemos uma família das que se reúnem na mesa , que almoçam juntos e conversássemos sobre como andam as coisas, como eu vou indo na escola. mas não, isso só acontece em novela, meu desejo é que um dia eu possa falar tudo o que realmente se passa comigo, poder dizer que eu não sou o filho que vai te dar um neto, mais que quer ver vocês felizes o tempo que for, que eu não sou o filho dos sonhos, mais eu juro que tento agradar, do meu modo, mas tento.
pai, você é o melhor pai do mundo ou até mesmo o pior, desde pequeno sempre me protegeu seja em qualquer lance, eu sinto falta de estar dormindo no meu beliche, ver a luz do lavabo se acender e pensar 'papai vai trabalhar agora' e logo depois a mãe vir me acordar e dizer 'ta na hora de ir pra escolinha'. sinto saudades de irmos no parque juntos e comprar as coisas pra casa porque a mãe ia trabalhar no sábado, e você não trabalhava, não por ser um vagabundo, mas pra passar o dia comigo. você acha que eu não sinto falta disso? eu sinto, claro que sinto. eu cresci talvez um pouco revoltado porque os pais dos meus amiguinhos contavam histórias pra eles dormirem, e você nunca me contou, mas não te julgo por isso, você tinha que trabalhar. mas por tudo, pai. por tudo mesmo, eu te amo muito.
mãe, você tem noção de quanto é importante pra mim? que eu não sei como é viver sem ter você por perto? se um dia eu te perder eu não sei pra que lado minha vida vai. eu te amo tanto, tanto, tanto, que se eu ficasse escrevendo tanto aqui até amanhã ainda assim não demonstraria meu amor por você. como eu queria contar tudo pra senhora, tudo. sem exceção, cada vida que eu busquei, cada corpo que eu toquei, cada tapa que eu levei. mas você não me entenderia — pelo menos não agora, eu te entenderia, mas você não. você nunca se deu a liberdade de perguntar 'filho você gosta mesmo do que eu acho que gosta?', eu responderia, mas você nunca perguntou.
e peço desculpas por não ser tão presente, por não estar sempre e sempre com vocês, por ser um filho meio ausente de tudo e de todos. é que o meu modo de viver afetaria muito vocês, a minha forma de usar a vida afetaria vocês. o meu mundo é diferente de vocês. só quero ver vocês felizes, acima de tudo, acima de mim.

- Douglas Lenon
21 de fevereiro de 2010

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