quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

a cidade está louca, você sabe. a cidade está doente, você sabe. a cidade está podre, você sabe. como posso gostar limpo de você no meio desse doente podre louco? urbanoides cortam sempre meu caminho à procura de cigarros, fósforos, sexo, dinheiro, palavras e necessidades obscuras que não chego a decifrar em seus olhos semafóricos. tenho pressa, não podemos perder tempo. como chamar agora a essa meia dúzia de toques aterrorizados pela possibilidade da peste? (amor, amor certamente não.) como evitaremos que nosso encontro se decomponha, corrompa e apodreça junto com o louco, o doente, o podre? não evitaremos. pois a cidade está podre, você sabe. mas a cidade está louca, você sabe. sim, a cidade está doente, você sabe. e o vírus caminha em nossas veias, companheiro.

- Caio Fernando Abreu

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