quarta-feira, 24 de março de 2010

o rosto dele próximo do meu. mais adivinho do que vejo o verde dos olhos deslizando pelas órbitas. a sua mão toca no meu ombro, sobe pelo pescoço, me alcança a face, brinca com a orelha, alcança os cabelos. o seu corpo cola-se ao meu. a sua boca vem baixando devagar, vencendo barreiras, colando-se à minha, de leve, tão de leve que receio um movimento, um suspiro, um gesto, mesmo um pensamento. estou em branco como a noite. ele me abraça. ele está perto.

- Caio Fernando Abreu

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