quinta-feira, 1 de julho de 2010


— digo que às vezes eu tenho vontade de ter outra vez um amigo como aqueles que a gente tinha na adolescência. aqueles pra quem você contava tudo, absolutamente tudo. e que no fim você nem sabe mais se é amigo ou irmão.
— ou amante.
— ou amante – ele repetiu. depois jogou-se outra vez na cama, tirou uma folha amassada do bolso e leu: – eu digo que estou disposto a qualquer coisa, eu digo assim: “chegue bem perto de mim. me olhe, me toque, me diga qualquer coisa. ou não diga nada, mas chegue mais perto. não seja idiota, não deixe isso se perder, virar poeira, virar nada. daqui há pouco você vai crescer e achar tudo isso ridículo. antes que tudo se perca, enquanto ainda posso dizer sim, por favor, chegue mais perto”.

- Caio Fernando Abreu

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