quinta-feira, 7 de outubro de 2010

morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto e as mesmas compras no supermercado. quem não troca de marca, não arrisca vestir uma cor nova, não dá papo para quem não conhece.
morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

morre lentamente quem passa os dias queixando da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe. morre muita gente lentamente, e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante. que amanhã, portanto, demore muito para ser o nosso dia. já que não podemos evitar um final repentino, que ao menos evitemos a morte em suaves prestações, lembrando sempre que estar vivo exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar.

- Martha Medeiros in A morte devagar pertencente a obra "Non-stop"

3 comentários:

  1. ''lembrando sempre que estar vivo exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar. '' Muito lindo o texto, blog lindo...

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  2. Maravilhoso esse texto!!

    Demais teu canto.


    Bom final de semana!bjo

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