quinta-feira, 30 de junho de 2011

Dia 29 - Esperanças, sonhos e planos para os próximos 365 dias

esperanças para os próximos 365 dias, na verdade eu preciso ter muita esperança. daqui um ano é julho de novo. eu espero que muita coisa se resolva, não vou pedir novo amor, porque isso a gente cansa de pedir né mesmo? eu tenho esperança na minha faculdade, no meu emprego, na minha carteira de motorista. mas acho que acima de todo esse materialismo eu preciso ter esperanças em mim, esperanças de que vai dar certo. de que o certo vai dar certo. sonhos são muitos, não dá pra nomeá-los, a gente tem que sonhar e guardar porque se a gente conta é igual segredo, parece que se espalha e não realiza nunca. mas é isso que a gente espera sempre, todos os dias, nossos sonhos realizados.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

olhe pra mim. não tenho nada dentro de mim. nada. não tenho vontade nenhuma de lutar por você, mas também não tenho vontade nenhuma de não lutar. não espero nada, mas também não espero outra coisa nenhuma. eu não tenho nada. eu perambulo por aí, atendendo meus 78 mil amigos e odiando ver o nome de cada um deles no visor do meu celular. todos divertidos, leves, incríveis, amigos. e eu cagando um mundo pra toda essa merda.

- Tati Bernardi

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Coisa de Momento


confesso que a música romântica me fez tirar a roupa mais facilmente, mesmo eu não sendo de pensar muito antes de fazer isso. as coisas que ficam fora do lugar dentro de mim, sou eu mesma quem bagunço. você, eu deixo bagunçar somente os cabelos e minhas quinquilharias femininas no bidê, pra deixar registrada uma marca, uma música, um beijo e umas recomendações.

era o trato. não sou de meio-amores que machucam por inteiro, acho essa coisa de paixão uma monstruosidade. esse afeto sem razão que cultivamos por alguém quase desconhecido é uma espécie de suicídio passional que dá anos de cadeia. não gostaria de ser como aquela gente que arrasta corrente por tempo. e não sou morta por dentro, acontece que meu colorido só dura 24 horas, tal uma borboleta. sou isso, uma espécie de heroína lepidóptera nascida pra inibir crimes passionais. mas só à noite, o resto do tempo sou uma lagarta gosmenta.

as pessoas que se apaixonam tendem a olhar-se mais no espelho, sem enxergar sua patética e debilitante condição. quando a coisa acontece mútua, vá lá, diversão garantida por um tempo biologicamente determinado. as rejeitadas são o brabo. subvertem-se psicóticas, caninas, manipuladoras, chantagistas, insanas, mendigas, agonizantes, verdadeiros cães de rua que aceitam um dono qualquer, suspeitos de crimes cheios de rastros.

se alguém já chegou lá, por gentileza, me diga se vale a pena tanto andar. do contrário, continuarei julgando essa coisa de amor uma longa estrada de chão calorenta até uma paradisíaca praia, que leva tanto tanto tanto tempo até você alcançá-la. e quando você chega sedento por um mergulho, fez-se a noite, o mar fica revolto e gelado e suscetível e perigoso e descontrolado. não me espanta a vida como é ela é, me incomoda a vida como ela deixa de ser, às vezes. simples, prática, funcional, indolor. mas são apenas convicções.

agora essa melancolia, essa saudade, essa tristeza, essa nostalgia, não sei o nome, seja lá o que você quiser. o jeito engraçado de andar com aquelas roupas, mesmo eu não concordando com aquela sua camiseta vermelha, seus dedos encardidos de cigarro, sua risada às vezes meio crueis, as coisas que você diz por empolgação, completamente nu. mesmo eu não concordando com nada de bom das coisas que já consigo enxergar em você. você não sabe, mas meu superpoder é inventar homens na minha cabeça.

acha mesmo que vou sair na rua só pra comprar o jornal do dia e consultar sua intenção de me ligar no horóscopo? o interessado não dá desculpas, dá um jeito. quando essa hora chegar, o dia já se foi, meu signo já aconselhou a agulha do meu disco trocar de música: dorme e acorda amanhã, num novo dia. faz de conta que é otimista ou que esse amor não significava nada. se a maioria acha triste a sensação de estar esquecendo uma feição, pra mim é um alívio discordar.

como não sei se verei seu rosto de novo, aquele papelzinho seu rabiscado no meu bidê, recomendando uma música pra ouvir, joguei no lixo antes de memorizar. não me dou o direito de mergulhar assim tão fundo num admirável mundo que não me pertence. mas se acaso você me procurar, não sei, pode ser, quem sabe passa hoje aqui pra devolver as coisas que são minhas - meus momentos bons.

- Gabito Nunes

domingo, 26 de junho de 2011

todo encontro que verdadeiramente nos toca é uma espécie de milagre num mundo de bilhões de seres humanos. algumas pessoas a gente nem imaginava que existiam, mas, meu Deus, que agrado bom é para a alma descobrir que vivem. que estão por aqui conosco. pessoas que fazem muita diferença na nossa jornada, com as quais trocamos figurinhas raras para o nosso álbum.

- Ana Jácomo

sábado, 25 de junho de 2011

eu tenho medo de acreditar em você, de te desejar tanto tanto e acabar descobrindo que eu ainda tenho um coração e que ele ainda pode amar muito alguém. não, eu digo a mim mesma, eu não vou me apaixonar e nem desejar saber tudo ao seu respeito, querer conhecer sua mãe e ser apresentada aos seus amigos. você não sabe, mas quando eu chego em casa eu repasso cada palavra que você disse, cada gesto que você fez, cada beijo seu e me pergunto se vale mesmo a pena. você é gentil, simpático e diz todas as coisas que deveria, pena que você não sabe que esse é seu maior problema.

- Carolina Assis

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Será que dessa vez...


nos conhecemos não faz muito tempo. eu não sei quantos passos a gente precisa dar pra se conscientizarmos que talvez possa virar um relacionamento isso tudo. acho que nesse tempo que a gente passa se conhecendo e deixando de amar, a gente vai ficando cada vez mais distante das pessoas, vamos focando mais no nosso eu — o que não é ruim — mas também não é muito bom. do tudo que sobra fica o pensamento longe e até mesmo a solidão as vezes. tenho medo de me arriscar de novo, "de novo" entende?
agora, mais ou menos nesse minuto ele deve ter chegado na Bolívia, eu não sei como lidar, mas ele mexe comigo. nesse instante fica o medo de estar sufocando ele até mesmo em pensamento. faz mais ou menos um mês que a gente se conheceu, ele é bem descolado. cara ele trabalha a noite, e ele ter irmãos. e parece que agora eu entro numa vida normal sabe, não naquele relacionamento conturbado o qual eu vivi, que eu nem sabia quem era quem e muito menos o porque de estar ali. ele é de carne, osso e coração. ele parece já ter se machucado e estar pronto pra começar de novo. eu quero começar de novo, começar assim normal, nada de especial ou fora do comum sabe. eu quero ser apresentado para os pais dele tá entendendo. eu não quero usar aliança. eu quero usar qualquer coisa que me faça ser dele, quem sabe mandar fazer uma camiseta com um verso de uma música o qual a gente gosta. quem sabe desenhar um coração numa árvore e escrever nossos nomes. ou qualquer outra coisa dessas meio bobas que a gente sonha ao acaso.
esse é coração novo deseja tanta coisa que parece até meio fora do comum você poder se apaixonar de novo. eu poderia falar mil qualidades as quais eu vejo nele, nas nossas simples conversas, sabe de uma coisa, ele não é romântico, ele é diferente, ele diz pensar em mim, querer estar comigo quando eu menos espero. saudade dele agora, não faz ideia do quanto.
vivia idealizando o amor, sonhando, e não posso reafirmar com certeza que ele apareceu, mas posso dizer que estou feliz por ter encontrado alguém que parece poder suprir o que eu gosto, o que eu preciso, o que eu quero. eu amo ele, e acho cedo pra dizer isso, acho cedo porque a gente sempre fala as coisas tarde demais sabe.

- Douglas Lenon
23 de junho de 2011

quarta-feira, 22 de junho de 2011

agora já não há dor nenhuma em lembranças de emoções como partidas, quartos vazios, separações. não tenho mais emoção alguma.

- Caio Fernando Abreu in Triângulo das águas

terça-feira, 21 de junho de 2011

o mundo já caiu, baby. só nos resta dançar sobre os destroços.

- Martha Medeiros in La Gozadera pertencente a obra “Doidas e Santas”

domingo, 19 de junho de 2011

criava mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. a felicidade sempre iria ser clandestina para mim. parece que eu já pressentia.

- Clarice Lispector in Felicidade Clandestina pertencente a obra “Felicidade Clandestina”

sábado, 18 de junho de 2011


— Annika, quando eu vi Eve pela primeira vez, mal consegui respirar. eu não conseguia andar. senti que se a perdesse de vista, por um momento que fosse, iria acordar de um sonho e descobrir que ela havia desaparecido. todo o meu mundo passou a girar em torno dela. (…) é uma pena que não seja eu, Annika. mas um dia você vai encontrar alguém e o mundo vai parar por sua causa, como Eve parou o mundo para mim. eu juro.

- Garth Stein in A Arte de correr na chuva

sexta-feira, 17 de junho de 2011

para ser um campeão, você não deve ter ego algum.

- Garth Stein in A Arte de correr na chuva

quinta-feira, 16 de junho de 2011

se um dia fizerem uma música pra mim, eu caso. não consigo ser discreta. falo alto, dou risada das desgraças dos outros, adoro falar. confiante. contraditória. cicatrizes. histórias. dizem que o inesperado Deus abre várias portas. e é disso que eu gosto. eu me viro. tudo certo como 2+2=5.

- Tati Bernardi

quarta-feira, 15 de junho de 2011

(...) tem vezes também em que oferto uma outra espécie de presente, que quem recebe jamais saberá que eu dei. pode ser para alguém que eu sinta estar triste ou para alguém que eu perceba estar muito feliz, não importa. não há lógica nem regra para ser seguida. sem fazer ruído, a minha vida dirige para aquela pessoa a intenção de que a vida dela seja abençoada. simples assim.

- Ana Jácomo

terça-feira, 14 de junho de 2011

Dissertação 89


essa mania boba que o amor tem de viver em volta de mim, e nunca em mim, vai acabar me fazendo desistir aos poucos. cansado de ver o amor por mim, e nunca pra mim.

- Douglas Lenon
14 de junho de 2011

segunda-feira, 13 de junho de 2011

título da biografia desse tipo de gente: "E Foi Assim Que Me Tornei Um Nada". soa legal, não? larguei a carreira de jornalista pois sempre que montava uma notícia me vinha a possibilidade de alguém estar dando naquele horário. voltei pra casa dos meus pais pois ficaria muito caro alugar sozinho uma cobertura, não queria mais sentir gente dando em cima de mim, meu mundo virou uma suruba francesa onde todos se divertiam no palco e eu apenas chorava no balcão batendo continuamente com a testa na vidraça, pra ver se a porra do George Michael cala essa maldita dessa boca no vazio escuro da minha memória poética. quantos cubos de gelo você deve pôr no uísque pra se convencer de que não era amor?

- Gabito Nunes in Vagabunda neurótica desgraçada

domingo, 12 de junho de 2011

e o que aconteceria à minha volta aconteceria de qualquer jeito. a minha não-participação seria ainda uma forma de participar, permitindo que tudo acontecesse sem interferir.

- Caio Fernando Abreu in Triângulo das águas

sábado, 11 de junho de 2011


a frase que deveria ser dita soa antipática, mas é o que nossos amigos e parentes que sofrem deste complexo precisariam ouvir: você não é tão importante. ninguém está tão preocupado assim com você, a não ser a meia dúzia que lhe ama de verdade. não há conspiração nenhuma. se as coisas parecem dar mais errado pra você do que para os outros, não é porque você atrai gente falsa ou encrenqueira. sua desconfiança é que atrapalha o bom andamento da vida. libere-se destas neuras e olhe em volta: todos têm mais o que fazer do que lhe dar atenção o tempo inteiro.

- Martha Medeiros in Mania de Perseguição pertencente a obra “Doidas e Santas”

sexta-feira, 10 de junho de 2011

mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.

- Clarice Lispector in Felicidade Clandestina pertencente a obra “Felicidade Clandestina”

quinta-feira, 9 de junho de 2011

não há nada de errado com a vida dos outros. nem nada de muito certo. não há uma regra que valha para todos os artistas, ou para todos os dentistas, ou para todos os frentistas.

- Martha Medeiros in Divas Abandonadas pertencente a obra “Doidas e Santas”

terça-feira, 7 de junho de 2011

Por onde anda o equilibrio?


o teu problema é acreditar muito no amanhã. amanhã talvez eu nem reconheça mais você. o que hoje foi amor, amanhã pode ser desilusão. acredito no fim das coisas que valeram a pena. fica sempre a dor do que podia ser, e o alivio do que não poderia ter sido. a questão é que nada tá bom, e a gente sempre quer mais, quando temos mais, não sabemos o que fazer com esse mais. e aí será que existe mesmo gravidade? alguma coisa que fixa, que deixe tudo igual, que divida em partes iguais pra todos. que nos torne normais.
nada vai ser tão bom ao ponto de te fazer ganhar o chão. sim ganhar o chão: crônica digital, Fernanda Mello, alguns de vocês entendem o que eu falei. nada vai ser tão ruim ao ponto de te fazer largar tudo. o equilíbrio é ridículo. porque a gente nunca esta perfeitamente equilibrado, estamos em constante movimento, e muitas vezes estamos no chão. superequilibrada é a natureza, a gente cai no segundo encontro por ter pensado - bem estupidamente, vamos falar a verdade né - que o segundo encontro seria tão mais impressionante que o primeiro.
feliz mesmo é quem não espera nada do mundo, e segue a vida de cabeça erguida. chorar não leva e não traz ninguem de volta, mas acredite se quiser, equilibra-nos. porque a gente pende pro chão quando estamos tristes, choramos pra soltar todo o peso, a raiva, a magoa, e começamos a se erguer, logo aí começa o equilibrio, o qual a gente tanto fala, o qual a gente nunca vê.

- Douglas Lenon
07 de junho de 2011

segunda-feira, 6 de junho de 2011

— na primeira vez que eu levei você para passear no meu carro, quando você era um filhotinho, você sujou todo o banco de vômito – ele disse. - mas eu não desisti de você.

- Garth Stein in A Arte de correr na chuva

domingo, 5 de junho de 2011

minha esperança é que o sonho esteja apenas cansado e depois de uma boa noite retorne colorido, musicado e perfumado. eu disse a minha esperança? então eu ainda tenho alguma? nem tudo está perdido.

- Tati Bernardi

sábado, 4 de junho de 2011

para os outros parece tão fácil. já eu, me canso só de pensar em não ter você, ou estar com alguém diferente. sim, de um jeito estranho e animalesco, como um macaco se comunicando através de gestos selvagens, mas que cansou de pular de galho em galho com medo de não haver tantos galhos assim, só estou aqui tentando dizer que te amo. não apenas por preguiça ou porque é romântico dizer esse tipo de coisa, mas porque é a mais bruta verdade. ah, e também que nessas fantasias, tais garotas jamais usam calcinhas de algodão esgarçadas de lavar trezentas vezes. e, sinceramente, não sei se conseguiria viver sem uma dessas no registro do meu chuveiro.

- Gabito Nunes in Por que eu só faço com você

sexta-feira, 3 de junho de 2011


hesito um pouco na esquina. antes de me pôr a caminho, abro devagar e completamente os braços para depois fechá-los arredondados, tocando suavemente as pontas dos dedos de uma das mãos nas pontas dos dedos da outra. como se faz para abraçar uma pessoa. mas não há nada entre meus braços além do ar da manhã. suspiro, sorrio, desfaço o abraço.
então, com as mãos vazias, finalmente começo a navegar.

- Caio Fernando Abreu in Triângulo das águas

quinta-feira, 2 de junho de 2011

eu era uma coisa pequena, rastejante e sem Deus, caminhando no escuro lamacento à procura apenas de qualquer gesto como o toque de uma mão humana, devagar na minha face. ele tocou. calçou os sapatos, apanhou o chapéu. eu quis dizer que poderia ocupar o segundo quarto — a segunda cama, a segunda vida — talvez para sempre. eu estava tão vivo que qualquer outra coisa também viva e próxima merecia minha mão estendida, oferecendo. estendi a mão. ele não podia aceitá-la. eu não devia estendê-la.

- Caio Fernando Abreu in Triângulo das águas

quarta-feira, 1 de junho de 2011

é preciso que se saiba. é preciso que se saiba. que a vida é curta. que a vida é curta.

- Clarice Lispector in Feliz Aniversário pertencente a obra “Laços de Família”