sábado, 5 de novembro de 2011

Egoísta (des)equilibrado medroso


preciso de alguém pra dizer que está tudo bem. que está tudo como deve estar, tudo no seu lugar. porque eu cansei de me suicidar dentro de mim todas as noites. quem precisa de colo quase na fase adulta da vida? eu. eu preciso. eu sou meio frágil, meio egoísta por escrever apenas de mim mesmo. escrevo sobre mim porque eu não sou outro alguém, eu só sei onde dói em mim. meio capitalista até esse estado de espiríto. isso tudo porque eu tenho que culpar alguém pra dizer que como eu estou nesses últimos dias não tem sido por minha causa, tem alguém que machuca muito mais e que não pode ser esse eu que sofre. sofro de distúrbio de personalidade multipla, quem escreve aqui hoje, não é o mesmo que vai pra aula amanhã, ou que vai trabalhar. droga, estou sendo um pouco sincero. sinceridade é falta de educação.
o que mais me intriga é eu querer saber quantas pessoas eu comporto dentro de mim. porque o mesmo que ama é totalmente diferente daquele que transa, o que sofre é totalmente diferente daquele que sorri, o que ouve Katy Perry — digamos assim, um popzinho desses, meio padronizado, o pop sem os exageros do pop — e dança até não conseguir parar em pé é o oposto daquele que ouve Coldplay tocando Violet Hill num pós-feriado. eu escrevo pra me entender e não pra se explicar, até porque eu não devo satisfação nenhuma aos meus medos e desejos.
meta do próximo ano: ser um pouco mais cara de pau pra não se machucar tanto. talvez se eu for igual a uns digamos 50% da população que é frigida em relação a sentimentos mesmo — sexo todo mundo gosta, ou quase todo mundo —, esses leves lapsos que me ocorrem é devido aquelas estrias que temos na alma sabe? e eu odeio estrias, mas na alma não funciona igual no corpo. só tem estrias na alma quem tem esperança.
hoje o sonho é largar tudo e morar bem longe. aonde não exista nenhum tipo de tecnologia super avançada. só contato físico porque eu não sei o que é isso faz tanto tempo! e eu não quero desistir, acima de tudo eu quero tentar, eu quero vencer. porque esse que está escrevendo agora não é o mesmo que começou a escrever isso tudo. quem escreve agora é quem tem esperança porque quem começou essa crônica não tinha esperança alguma, e isso tudo vem das palavras. que "o ato de escrever não é sofrido, sofrido é a vida", palavras da grande Martha Medeiros.
é agora ou nunca, preciso ser uma única pessoa nesse meu dia-a-dia porque estar em movimento a todo tempo requer equilíbrio e parte de mim nunca soube que isso existia. ou talvez a parte que sabia acabou se suicidando ontem a noite. ou talvez tenha sido um egoísta equilibrado medroso, o que morre sem querer contar como é ser equilibrado. ou talvez eu nem saiba como é ser equilibrado e só saiba disfarçar. o que eu sei fazer de melhor é disfarçar, tanto a dor como a alegria e acho que esse sou eu, o grande egoísta (des)equilibrado medroso conhecido como o mestre do disfarce.

- Douglas Lenon

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