sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

e que eu não esqueça, nessa minha fina luta travada, que o mais difícil de se entender é a alegria. que eu não esqueça que a subida mais escarpada, e mais à mercê dos ventos, é sorrir de alegria. e que por isso e aquilo é que menos tem cabido em mim: a delicadeza infinita da alegria. pois quando me demoro demais nela e procuro me apoderar de sua levíssima vastidão, lágrimas de cansaço me vêm aos olhos: sou fraca diante da beleza do que existe e do que vai existir. e não consigo, nesse adestramento contínuo, me apoderar do primeiro regozijo da vida.
23 de setembro de 1967

- Clarice Lispector in Primavera ao correr da máquina pertencente a obra "A Descoberta do Mundo"

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