sábado, 17 de dezembro de 2011


— mas tantas memórias. a gente tem tantas memórias. eu fico pensando se o mais difícil no tempo que passa não será exatamente isso. o acúmulo de memórias, a montanha de lembranças que você vai juntando por dentro. de repente o presente, qualquer coisa presente. uma rua, por exemplo. há pouco, quando você passou perto de Pinheiros eu olhei e pensei: eu já morei ali com o Beto. e a rua não é mais a mesma, demoliram o edifício. as ruas vão mudando, os edifícios vão sendo destruídos. mas continuam inteiros dentro de você. chega um tempo, eu acho, que você vai olhar em volta sem conseguir reconhecer nada.

- Caio Fernando Abreu in Triângulo das águas

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