sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

a partir de amanhã não corro mais para atender o telefone
a caixa de fotos vou colocar na última prateleira do armário
onde só alcançarei com muito esforço e escada
a partir de amanhã não abro mais o correio eletrônico
nem voo até sua letra no alfabeto, não haverá encontro
não passarei mais pela sua rua, a partir de amanhã
nem na vizinhança, atalharei por outro bairro
não há necessidade e meu coração não é de confiança
a partir de amanhã interrompo o surto e esqueço a placa do seu carro
não há perigo de eu sonhar com você, a partir de amanhã
não durmo mais, e as músicas que eu escutava, evitarei
já não te velarei, a partir de amanhã saio do luto

- Martha Medeiros in Cartas Extraviadas e outros poemas

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