domingo, 16 de dezembro de 2012

Alguém que soubesse sobre você


não é que não dá, é que já deu. as pessoas são assim, elas insistem em viver cada pedacinho de época que tem em suas vidas. tô falando isso porque a gente tem sei lá, quase 20 anos mas tem uns pensamentos de 40 que não tem sentido, sabe? e você vai na balada, vai em barzinhos cults e sei lá, vai no parque procurar ou sai para se permitir e volta pra casa com os bolsos vazios como se tivessem roubado o pedaço de vida ou o pedaço de infância, ou um pedaço de você.
reza a lenda que quanto mais sozinho você fica, menos você sente falta de alguém do seu lado. não é que seja falta, eu sinto falta de sentir falta, entende? porque todo mundo vai embora antes de qualquer coisa, antes de dar tempo de ser alguma coisa. cansado mesmo eu tô dessa gente que só quer começar, começar uma nova amizade, começar uma nova fase, começar uma nova dieta. eu cansei. C-A-N-S-E-I! fiquei craque nesse negócio de começar, dessa vez eu quero algo que passe do segundo mês.
teve o primeiro que foi muito, que continuou, mas a gente começava sempre que dava dois meses porque a gente terminava a cada dois meses. não era recomeço, até porque ninguém recomeça, todo mundo termina e começa de novo.
teve o segundo que sorria demais, paciente demais, e me amava e me esquecia demais. até hoje penso que um pouco da minha loucura vem desse aí. não sei dizer pra vocês quem era ele, mas com toda sinceridade do mundo posso afirmar que ele tinha um puto déficit de atenção. ô homem pra me segurar e me largar, me bater e assoprar, me esquecer e lembrar depois.
e teve o terceiro... que deixava a porta do box do banheiro aberto sempre que tomava banho, que não me deixava ver ele se pentear porque tinha vergonha, porque era tímido. o terceiro que foi a coisa mais sobrenatural e irreal que já aconteceu na minha vida. costumo chamar esse período que eu tive de tempo branco, gente que vem e não consegue desenhar nada na sua vida e só apaga aquilo que você tinha construído, sabe? branco porque lembra borracha.
no final disso tudo, eu queria alguém que soubesse me ler no escuro. soubesse que eu troquei de pizza preferida porque o primeiro cara tinha o mesmo gosto que eu. soubesse que eu tenho mania de dormir com a mão embaixo do travesseiro. soubesse que eu odeio o inverno. soubesse que eu prefiro comida japonesa e que eu detesto comida apimentada. soubesse que eu gosto de cafuné. soubesse que quando eu tô triste eu adoro ouvir "open your eyes" do Snow Patrol. soubesse que eu dou apelido pra todo mundo, mas odeio ganhar apelido. soubesse que quando eu quero, eu quero pra valer.
só queria alguém que pudesse me amar pelos meus defeitos e que conseguisse aceitar cada pedacinho de mim que me faz ser assim, que tivesse pretensão em me querer mais do que me ganhar. alguém que cuidasse de mim ou que ao menos se preocupasse comigo. alguém que me esperaria ou alguém que fosse me buscar. alguém que esteja aqui ou que esteja pensando em mim. alguém que.

- Douglas Lenon

Um comentário:

  1. também tenho essa coisa das coisas nunca darem certo, sempre virarem passado antes de se quer começarem. nós que somos complicados demais ou realmente é cada vez mais dificil encontrar esse tipo de alguem que queira levar as coisas adiante, que queira ficar apesar de tudo? :S

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