segunda-feira, 17 de dezembro de 2012


e uma compulsão horrível de quebrar imediatamente qualquer relação bonita que mal comece a acontecer. destruir antes que cresça. com requintes, com sofreguidão, com textos que me vêm prontos e faces que se sobrepõem às outras. para que não me firam, minto. e tomo a providência cuidadosa de eu mesmo me ferir, sem prestar atenção se estou ferindo o outro também. não queria fazer mal a você. não queria que você chorasse. não queria cobrar absolutamente nada. por que o zen de repente escapa e se transforma em sem. sem que se consiga controlar.
10 de agosto de 1985

- Caio Fernando Abreu in “Cartas” à Sérgio Keuchgerian

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