quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

somos muito parecidos, de jeitos inteiramente diferentes: somos espantosamente parecidos. e eu acho que é por isso que te escrevo, para cuidar de ti, para cuidar de mim – para não querer, violentamente não querer de maneira alguma ficar na sua memória, seu coração, sua cabeça, como uma sombra escura. perdoe a minha precariedade e as minhas tentativas inábeis, desajeitadas, de segurar a maçã no escuro. me queira bem.

estou te querendo bem neste minuto. tinha vontade que você estivesse aqui e eu pudesse te mostrar muitas coisas, grandes, pequenas, e sem nenhuma importância, algumas.
fique feliz, fique bem feliz, fique bem claro, queira ser feliz. você é muito lindo e eu tento te enviar a minha melhor vibração de axé. mesmo que a gente se perca, não importa. que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. mas que seja bom o que vier, para você, para mim.
10 de agosto de 1985

- Caio Fernando Abreu in “Cartas” à Sérgio Keuchgerian

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