domingo, 31 de janeiro de 2010
Dissertação 14
- Douglas Lenon
31 de janeiro de 2010
- Markus Zusak in Eu sou o mensageiro
pg. 166
- Caio Fernando Abreu in Triângulo das águas
— tenho que lhe contar uma coisa, Ed.
dou uma parada tambem.
— o que é, padre?
— sabe, dizem que há inúmeros santos que não têm nada a ver com a Igreja e praticamente não têm nenhum conhecimento de Deus. mas dizem que Deus anda com essas pessoas sem que elas e dêm conta disso - os olhos dele estão dentro de mim agora, acompanhados pelas palavras. – você é uma dessas pessoas, Ed. é uma honra conhecê-lo.
- Markus Zusak in Eu sou o mensageiro
pg. 140
adoro as gargalhadas desta madrugada.
nossos pés batem nos traseiros de tanto correr, e não quero que isso pare. quero correr e rir assim pra sempre. quero evitar qualquer momento de sem-gracice quando o diabo da realidade enfiar o tridente na nossa carne, nos deixando ali parados, juntos, com cara de manés. quero ficar aqui neste momento e nunca ir a outros lugares, onde a gente não sabe o que dizer nem o que fazer.
- Markus Zusak in Eu sou o mensageiro
pg. 139
Pra te ouvir e me entender

acho que é preciso não aguentar mais para continuar. para seguir em frente, para fazer com que a dor passe. creio que eu ainda sigo pelo simples fato de não aguentar mais, de achar que tudo isso já podia ter acabado há algum tempo, e eu nem sou tão atraente assim, e ele nem me enxerga mais, eu sempre vou ser o ombro amigo, o colo no final do dia. não vai passar disso.
ah, eu larguei tudo, larguei minha noite por você, e simplesmente você não diz nada, me entristece muito esses teus silêncios. aguentar qualquer vagabunda dando em cima de você, e ter que dizer que tá tudo bem, que eu não me importo. você não vê o esforço que eu faço. você apenas não diz nada, você me deixa na dúvida. e ficar na dúvida é pior que um sim ou não. eu perdi mais alguém, mais uma chance de tentar, desta vez ameaçou a ser. e eu perdi por você. minha noite estava reservada, eu tinha um bar, pessoas, e a pessoa. então o dia conspirou, e então conseguimos um plano B. e eu desisti, porque você estava aqui. será que vai ser assim sempre? quando eu estiver no quase, você aparece e eu fracasso. apenas me dê um definitivo. e diga que nós, não é só um pensamento meu.
- Douglas Lenon
31 de janeiro de 2010
Dissertação 13
- Douglas Lenon
31 de janeiro de 2010
Minha inspiração
o que você faz comigo? como consegue mexer tanto com meu coração? já tentei fugir de não te querer, mas qualquer atalho, qualquer caminho me traz de volta. então acabei desistindo e me entregando. eu me rendo, pronto. é aquela antiga história do: eu não gosto de você, repetindo várias vezes pra mim mesmo, porque se eu gostar de você, não há sombra de dúvidas que você vai embora.
eu só te peço pra se manter bem, não importa se você vai ficar no extremo norte do Brasil, na Europa, na Ásia, em qualquer lugar que for, apenas se mantenha bem. porque se hoje eu gosto do que eu faço, se eu gosto de escrever e expressar tudo o que eu sinto, é porque você me mostrou isso, é a forma que eu uso pra te guardar, pra te manter aqui. só não quero te ver triste. porque até onde eu sei, se o mundo acabasse hoje, eu ainda escolheria você.
- Douglas Lenon
31 de janeiro de 2010
- Caio Fernando Abreu
sábado, 30 de janeiro de 2010

mas que você me sentisse um pouco distante e tivesse pressa em me chamar outra vez para perto, para baixo ou para cima, não sei, e então você ensaiasse um gesto feito um toque para chegar mais perto, apenas para chegar mais perto, um pouco mais perto de mim.
- Caio Fernando Abreu
- Clarice Lispector
Dissertação 12
- Douglas Lenon
30 de janeiro de 2010
Carta Extraviada 3
não é da minha natureza esperar que me deem liberdade, não espero pelo pouco que há de essencial na vida. sendo liberdade uma delas, eu mesmo me concedo. ser livre não me ensinou a amar direito, se por direito entende-se este amor preestabelecido, mas me ensinou as sutilezas do sentimento, que, afinal, é o que o caracteriza e o torna pessoal e irreproduzível. te amo muito, até quando não percebo.
o amor que eu sinto pode parecer estranho, e é por isso que o reconheço como amor, pois não há amor universal: não, caríssima. não há um amor internacional, assim como são proclamados os cidadãos do mundo. cada cidadão, um coração, e em cada um deles, códigos delicados. se não é este o amor que queres, não queres amor, queres romance, este sim, divulgadíssimo. te amo muito, e não sinto medo.
bela e cega, buscas em mim o que poderias encontrar em qualquer canto, em todo corpo, homens e mulheres ao alcance de teus lábios e dedos, romance: conhecido o enredo, é fácil desempenhá-lo. e se casam os românticos, e fazem filhos e fazem cedo.
o amor que sinto poderia gerar casamento, pequenos acertos, distribuição de tarefas, mas eu gosto tanto, inteiro, que não quero me ocupar de outra coisa que não seja você, de mim, do nosso segredo. te amo muito, e pouco penso.
esta carta não chegará, como não chegarão ao seu entendimento estas palavras risíveis, estes conceitos que aos outros soariam como desculpa de aventureiro ou até mesmo plágio, já que não há originalidade na ideia, muito difundida, porém bastante censurada. serei eu o romântico, o ingênuo? Serei o que quiseres em teu pensamento, tampouco me entendo, mas sinto-me livre para dizer-te: te amo muito, sem rendimento, aceso, amor sem formato, altura ou peso, amor sem conceito, aceitação, impassível de julgamento, aberto, incorreto, amor que nem sabe se é este o nome direito, amor, mas que seja amor. te amo muito, e subscrevo-me.
- Martha Medeiros in Cartas extraviadas e outro poemas
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
- Markus Zusak in Eu sou o mensageiro
pg. 117
Eu só queria terminar dizendo eu te amo

mas me avise quando for aparecer, nem que seja por três segundos, mas avise, porque preparar todo terreno, deixar ele forte, pra que a chuva não faça outro estrago e depois o sol que seca aos poucos a imensidão de terra que existe, apenas avise, pra que não comece outro ciclo. eu preciso de dias de sol, dias de sol sem interrupção nenhuma entende, eu sou calor e era eu quem te aquecia.
acostumei a te ter aos poucos, não te ter a todo tempo. e se chove muito, a terra acha que vai chove sempre, e isso tudo me confunde, confunde a mim, confunde a você, confunde a terra. então se for pra vir assim em doses, venha com calma, venha de mansinho, de leve.
imagine que um dia eu cheguei acredita que nós iríamos dar certo, que o mundo ia ficar a nosso favor, que iria ter estrelas no céu todos os dias. é como dizem quanto maior o sonho, maior o tombo. eu cai mais ou menos do andar mais alto. o que me entristece mesmo é que a gente tinha tudo pra da certo, e não sei exatamente se foi eu, se foi você, ou até mesmo se foi nós quem estragou o que podia ter sido e não foi. então deixa o sol queimar, deixa o tempo ensinar, deixa a vida como está, e sente agora o meu abraço, o abraço que diz: desculpa se eu não fui o suficiente pelos nossos erros. apesar de tudo, do mundo, eu levo você comigo, te amo.
- Douglas Lenon
29 de janeiro de 2010

apenas apareça de vez em quando e traga um pouco de mim. não muito e não sempre e não demais, para que eu sinta saudades e possa sonhar comigo, para que eu consiga pensar em mim. o que mais faço é na verdade o que jamais fiz. nem por um segundo. pensar em mim. gostar de mim. sempre e nem por um segundo.
- Tati Bernardi
Eles não me deixam, você não me deixa
— não foi por mal, deixa ele esfriar a cabeça, ele nem sabe no que pensar, ele não fez por mal né?
— porque só você não enxerga que acabou? fim, the end, finish. qualquer outro tipo de palavra que expresse final, você tem que aprender que as pessoas só vivem felizes quando não esperam nada de outras pessoas. — ela diz irritada.
— mas... — eu tento interromper.
— mas nada. não tem mais o que discutir aqui. só você que não para pra pensar no mal que faz a si próprio pensando dessa forma "amorosa".
sabe no fundo ela está certa. tantas vezes eu olhava pra ele, e pensava. repare em mim, escolha a mim. acabei desandando, acabei contrariando tudo o que eu dizia sobre fim de romance, que não tinha lógica as pessoas ficarem mal, que era cena o que as pessoas faziam quando acabava tudo. eu me auto julgava sem perceber. então acabe com o sentimento, mate tudo que você ainda sente, sufoque, envenene. porque viver com isso, SOBREVIVER com isso, é um pedido de morte.
- Douglas Lenon
29 de janeiro de 2010
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Dissertação 11
- Douglas Lenon
28 de janeiro de 2010
- Tati Bernardi
Não é assim que se quebra preconceito
preconceito, é muito difícil falar sobre isso, querendo ou não somos preconceituosos. e muitas vezes quando não gostamos do preconceito do outro para com nós, procuramos "exagerar" naquilo que o outro não gosta, querendo jogar na cara do outro que é uma coisa normal, que ele tem que aceitar, que ele vai ver muito disso ainda. mas não é assim que se quebra preconceito. não é um casal de gays se beijarem em praça pública, não é matando um cara que errou, não é brigando pra resolver algum tipo de discussão.
a vida ensina muita coisa, e eu não estou falando de aprender a escolher uma roupa, a escolher um estilo de música. eu falo de caminho, pois tudo que acontece na nossa vida, às vezes — ou sempre — temos mania de dizer que foi Deus que quis assim. não deixa de ser verdade. pare e reflita, se pensássemos assim sempre — não que seria tudo flores, mas faria o ser humano evoluir sem perceber. quando julgam um casal gay, ninguém para pra pensar que eles são apenas um casal gay entre quatro paredes, fora disso eles não deixam de ser homens/mulheres. e na questão da igreja não aceitar isso, é pensamento pequeno e eles colocam a solução na Bíblia, dizendo que a Bíblia vai contra, mas resuma a Bíblia em uma única e simples palavra. eu resumiria em amor. e podem dizer o que quiser, mas se Deus for contra o amor quem será a favor?
- Douglas Lenon
28 de janeiro de 2010
— você é meu melhor amigo, Ed.
— eu sei.
essas palavras podem matar um homem.
não precisa nem de arma.
nem de balas.
só das palavras e de uma garota.
- Markus Zusak in Eu sou o mensageiro
pg. 109
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
- Caio Fernando Abreu

sim, a tecnologia é mesmo fantástica, só que hoje eu queria sumir com você para um lugar onde não pegasse o celular, não pegasse a internet, não pegasse a televisão, mas que a gente, em compensação, se pegasse muito.
- Tati Bernardi
- Fernanda Young
Dissertação 10
- Douglas Lenon
27 de janeiro de 2010
Tá errado, eu tô fazendo
- Douglas Lenon
27 de janeiro de 2010
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
- Markus Zusak in Eu sou o mensageiro
pg. 76
- Markus Zusak in Eu sou o mensageiro
pg. 73

parece incrível ainda estar vivo quando já não se acredita em mais nada. olhar, quando já não se acredita no que se vê. e não sentir dor nem medo porque atingiram seu limite. e não ter nada além deste amplo vazio que poderei preencher como quiser ou deixá-lo assim, sozinho em si mesmo, completo, total. até a próxima morte, que qualquer nascimento pressagia.
- Caio Fernando Abreu
eu não quero só sexo com ela.
eu queria sentir nossos corpos se apertarem, só por um instante.
ela sorri pra mim quando ganha uma partida, e eu sorrio pra ela.
me deseje, eu imploro, mas nada acontece.
- Markus Zusak in Eu sou o mensageiro
pg. 48
- Caio Fernando Abreu
- Caio Fernando Abreu
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Pra lugar nenhum
eu fiz uma bagunça com a minha vida, fui colocando tudo em um saco, e quando achei que o saco estava muito pesado, quis parar e tirar aquilo que já não tinha mais necessidade de manter dentro, então eu abri, vi nele coisas que eu já tinha me esquecido, que eu nem fazia tanta questão assim de lembrar. bateu aquela nostalgia, quis fechar logo o saco e carregar do jeito que estava, porque a primeira coisa que eu ia tirar já ia me fazer falta, imagina as outras que tinham por vir. então segui mais um pouco pelo meu caminho e fui colocando mais coisas dentro do saco, e esquecendo do que tinha dentro, fui dando valor — mais valor — para as novas coisas, e acabei me esquecendo que você deve regar as plantas todas do mesmo modo.
semana passada eu resolvi abrir o saco, resolvi olhar o que tinha dentro, achei uma carta que você me mandou, não é aquelas cartas que mandam por postais ou algo do gênero, mais um texto que você escreveu e me mandou dizendo: é pra você. quando li pela primeira vez, meio que li com tanta alegria que nem me dei conta de que a carta terminava dizendo: seja feliz. hoje lendo isso fiquei assim, mais sem rumo ainda, mais cansado. pensa bem no que você leva contigo, tem tanta coisa mal resolvida, tem tanta dor, que em vez de colocar no saco que você leva, coloca no saco furado, guarde o que foi bom, seja curável.
- Douglas Lenon
25 de janeiro de 2010
Onde eu deixei minha dignidade
mas eu queria dizer, tipo quando alguém perguntasse, porque ficou com ciclano, e dizer que foi só uma trepada. talvez seja vulgar demais. mas tem um quê de liberdade, sei la. soa meio irônico. mas só por fazer loucura, acho que valeria a pena. será que falta mais alguma coisa — para o tempo me esfregar na cara que você nunca vai ser meu totalmente —, alguma coisa que eu perdi do filme? porque com o tempo que passou, eu ainda estou aqui, não consigo desistir. mas que merda mesmo né? tenho que continuar, ver o meu extremo entende. ver até onde eu consigo chegar e dizer que estou feliz, por tudo.
sabe dia 2 de dezembro eu sentei na frente da minha casa, minha amiga trouxe o violão, e começamos a cantar, músicas variadas, desde as que nós compomos, até outros tipos de música. se você soubesse o quanto eu digo que não sinto a sua falta, e que todo mundo sabe que estou mentindo pra mim mesmo, que todas as músicas que tocamos — cantamos — foi pra me lembrar mais de você.
o violão tocando, o abraço gostoso, para um mal começo de dia um bom fim de noite. quando você sumir, ouça aquela música que me faz lembrar de você, que te faz lembrar de mim, que me faz te chamar de John Tucker, e que nesse exato momento digo no seu ouvido que você não presta, que eu queria te empurrar de qualquer penhasco — talvez me jogar do penhasco contigo —, dizendo que eu estou aqui torcendo por você — que sempre estive aqui torcendo por você, que eu não vou te deixar, pelo menos agora, que eu não gosto de você, eu amo você.
- Douglas Lenon
10 de dezembro de 2009
Dissertação 8
tem sempre um sol lá na frente.
tem sempre nós de costas.
tem sempre você.
tem sempre eu.
- Douglas Lenon
25 de janeiro de 2010
domingo, 24 de janeiro de 2010
- Caio Fernando Abreu

saudade é uma felicidade retardada, saudade só não mata porque tem o prazer da tortura.
- Gabito Nunes
sábado, 23 de janeiro de 2010
Humor é uma questão de estação
verão: é como insegurança, não sabe se pode esquentar demais, se pode ir longe demais, apenas sabe que pode trazer calor, que pode dar calor, eu gosto do verão, não é porque eu nasci nessa época, é meio suspeito dizer, mais eu gosto, me espelho muito, sou um pouco quanto inseguro, não saber quanto é demais ou longe demais.
outono: é fortaleza, é a estação mais forte, porque mais forte? porque ela luta pra ter o calor, mesmo sabendo que o inverno tem que vir, tem que haver outro ciclo, e mesmo assim luta. quando a gente ama - ama de verdade mesmo - somos como o outono, mesmo sabendo que tem que acaba, que ja não é a mesma coisa, nós lutamos, até mesmo quando a batalha está perdida.
inverno: é certeza, ele sabe que tem que ficar de um único jeito o tempo todo, pra ele não existi estar frio demais. ele sabe que é desse jeito que tem que ficar. o inverno não é um mal, ele apenas tem certeza do que é.
primavera: é o recomeço, depois de todo aquele outono, temos que recomeçar, meu irmão as flores tão ai, o mundo tava só te esperando. recomeçar é difícil, é realmente difícil, mais é bom, é gostoso. significa que você aprendeu com os erros e que pode começar de novo, que se errar agora, é normal, justo porque você ainda não tinha presenciado esse erro.
humor é uma questão de estação, eu levo cada uma de um jeito, tenho respeito, e ser dessa forma "estação" é saber mudar quando chega a hora de mudar.
- Douglas Lenon
23 de janeiro de 2010
Dissertação 7
- Douglas Lenon
23 de janeiro de 2010
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
- Caio Fernando Abreu
Dissertação 6
- Douglas Lenon
22 de janeiro de 2010
- Caio Fernando Abreu
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
E eu que acreditava que as pessoas eram de valor
- Douglas Lenon
20 de janeiro 2010
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

- Caio Fernando Abreu
Apenas pare de me chamar
- Douglas Lenon
20 de janeiro de 2010
Dissertação 5
olhando pra uma caixa, uma caixa vazia respondo:
— eu não tô pensando, eu só estou tentando pensar.
- Douglas Lenon
18 de janeiro de 2010
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Dissertação 4
- Douglas Lenon
19 de janeiro de 2010
Não pedir aquilo que não sabe manipular
ando pensando em continuar, em voltar a sair, em voltar a viver. mas às vezes parece que voltar é se machucar tudo de novo, que se eu fosse começar do zero, teria que tirar tudo aquilo que não me convém mais, que já não tem mais utilidade, porém tem muita coisa mal resolvida, minha vida em si é um projeto falhado, não sei responder – ou sei responder – o que deu errado, no que eu errei. não consigo aceitar o fato disso tudo ter sido um erro nosso. ultimamente meu maior erro tem sido ser frio demais em horas desnecessárias, queria tanto não me importar, queria mesmo, e cara agora que eu consegui, eu não sei como parar. nos assuntos vou muito direto ao ponto, vou falando sem me importar com a opinião de algumas pessoas, não estou dizendo que sou assim com todas as pessoas que eu conheço, eu também amo, de alguma maneira eu tenho sentimentos. apenas me importo com poucas pessoas. o que eu vou dizer agora pode ser um tipo de fraqueza, mas se o que você chama de fraqueza, eu chamo de verdade, então é fraqueza: quando eu te tinha do meu lado, não importava a forma de como tu era meu, eu poderia escalar o Everest, ir a pé daqui ao Rio Grande do Norte, pular de paraquedas – e você sabe que eu morro de medo de altura –, que tudo era realmente mais fácil. porém começar com isso que sobrou, e ter que administrar algo que eu tive por tanto tempo, e apenas estava adormecido durante esse intervalo de romance involuntário, é uma segunda chance. mas manipular a liberdade é o medo que não me deixa sair da linha de partida.
- Douglas Lenon
19 de janeiro de 2010
Dissertação 3
- Douglas Lenon
19 de janeiro de 2010
Até mesmo um mero escritor se ilude

não sei, me bateu uma vontade de escrever sobre você. você é um cu! nisso a gente concorda. você é muito igual a mim, justamente por isso que por mais que tentássemos, não daria certo. provei para você que iria até você. e fui. você provou que viria até mim. e não veio. lembro de quando começou, de que eu dizia que eu não sofria e tudo mais. mas eu sofria sim. e doía muito. você se foi, e eu pensei que não ia te esquecer. mas o tempo passou e eu fiquei com aquele seu pensamento sobre mim, “ah ele é um irmão pra mim”. era isso que você sempre dizia e que tanto me machucava, hoje sou eu quem usa essa fala, e não me machuco mais. pensei, vou fazer ele crescer, ter sua opinião própria, não se preocupar com o que os outros pensam sobre ele, vou fazer um cara de 22 anos, pensar como um cara de 22 anos, e não como um pré-adolescente de 13 anos, mas eu não consegui, tentei, mas não consegui. não fui bom o bastante. você me perdeu uma vez, e me conseguiu de volta, perdeu outra e me conseguiu de volta novamente e agora você me perdeu para sempre. te tenho como um irmão. mas pensa bem, irmãos ainda podem machucar irmãos, e às vezes o que você fala, pode não parecer tão pesado, porque quem sente mais é o que se recebe e não o que se emite.
- Douglas Lenon
12 de novembro de 2009
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
- Caio Fernando Abreu
Ninguém aquece, ninguém acontece
- Douglas Lenon
18 de janeiro de 2010
— o que já é difícil.
— pode ser, mas. suponhamos. eu já vivi isso. e se realmente gostarem? se o toque do outro de repente for bom? bom, a palavra é essa. se o outro for bom para você. se te der vontade de viver. se o cheiro do suor do outro também for bom. se todos os cheiros do corpo do outro forem bons.
- Caio Fernando Abreu in Triângulo das águas
- Caio Fernando Abreu
domingo, 17 de janeiro de 2010
Dissertação 2
- Douglas Lenon
17 de janeiro de 2010

às vezes é preciso recolher-se...
o coração não quer obedecer, mas alguma vez aquieta; a ansiedade tem pés ligeiros, mas alguma vez resolve sentar-se à beira dessas águas. ficamos sem falar, sem pensar, sem agir.
é um começo de sabedoria, e dói. dói controlar o pensamento, dói abafar o sentimento, além de ser doloroso parece pobre, triste e sem sentido.
amar era tão infinitamente melhor; curtir quem hoje se ausenta era tão imensamente mais rico. não queremos escutar essa lição da vida, amadurecer parece algo sombrio, definitivo e assustador. mas às vezes aquietar-se e esperar que o amor do outro nos descubra nesta praia isolada é só o que nos resta.
entramos no casulo fabricado com tanta dificuldade, e ficamos quase sem sonhar.
- Lya Luft in Recolher-se
- Fernanda Young
Like that
- Douglas Lenon
17 de janeiro de 2010
sábado, 16 de janeiro de 2010
Choose me
- Douglas Lenon
16 de janeiro de 2010
- Martha Medeiros
Sou saída

eu descobri hoje que sou saída, vejo que quando estou mais educadamente comportado - que clichê. um simples bater de asas, um simples toque, pode mudar todo o meu dia, interfere no plano de vida. quando o jeito é as pessoas te usarem como saída, seja como pedindo uma opinião, como questionando-me o porquê de ser inseguro e até mesmo pra me culpar. veja bem, ser saída não é tarefa fácil. e se você começa mal, dando o conselho errado, sendo "saída errada", a tendência é continuar errando, apenas quando acaba um ciclo, é que se pode tentar tudo do começo, se pode recomeçar. ser saída é ser sincero para consigo e para com os outros, é ser o abraço do melhor amigo, ser a razão da mãe, ser o orgulho do pai. pra tudo isso é necessário ser saída, que no final - seja final do dia, final de expediente, final da vida - somos o que qualquer ser que ama quer encontrar, uma saída.
- Douglas Lenon
16 de janeiro de 2010
- Tati Bernardi
Dissertação
- Douglas Lenon
15 de janeiro de 2010
- Caio Fernando Abreu in Diálogo
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

tenho um amor fresco e com gosto de chuva e raios e urgências. tenho um amor que me veio pronto, assim, água que caiu de repente, nuvem que não passa. me escorrem desejos pelo rosto pelo corpo. um amor susto. um amor raio trovão fazendo barulho. me bagunça. e chove em mim todos os dias.
- Caio Fernando Abreu
Educando um anjo
sabe eu converso com um anjo, ele diz que onde ele mora as pessoas não são lá perfeitas, nem tem poderes especiais, eles convivem bem, mais que a situação onde ele mora depende da situação de onde eu moro. se estamos todos bem aqui, eles vivem em festa lá, se as coisas não vão bem, eles fazem de tudo pra que se resolva, porque resolvendo lá, acreditam que conseguem resolver nossa situação aqui. que história esquisita de anjos né? ele me perguntou se eu consigo resolver as coisas aqui, eu olhei para o espelho, meus olhos se enxeram de lágrimas e eu me perguntei: - é isso que eu chamo de vida? então, pra alegrar o anjo eu disse que a vida só é bem vivida se tem uma lógica no final, que super-exigir da vida é o que nós humanos fazemos a todo momento, e quando sentimos medo, muito medo, machucamos o outro, a princípio parece que é um mecanismo de auto-defesa, pra se sentir mais forte que o oponente, mais não é assim, eu não sou assim, apenas faça a diferença, faça valer a pena, não machuque ninguém, eu sei, às vezes não é por querer, mais faça da sua lógica de vida, algo que somente o seu ser pode alcançar, que só você pode fazer, que é pra você, que é por você, que é ser você.
- Douglas Lenon
15 de janeiro de 2010
- Caio Fernando Abreu
Os sentidos de sentir
sentir-se atraído é o que mais se acontece com qualquer pessoa, digamos que boa parte do que eu vejo, me atrai. me atrai muito, ter pensamentos sacanas com pessoas bonitas, gostosas ou qualquer outro adjetivo que expresse tesão momentâneo.
gostar é um sentimento que traz muita confusão. gostar de alguem é diferente de trepar com esse alguem. eu gosto de todos os meus amigos. não significa que eu tenha que trepar com todos eles pra me certificar de que não é amor, o gostar pode machucar muito, mais pode ser prazeroso, gostar e cuidar andam juntos, ou talvez totalmente separados.
amar é o mais fácil de se falar, o mais difícil de se acontecer. eu já tive tanto amor um dia dizia Caio Fernando Abreu. acho que me encaixo nessa frase. a cada pessoa que a vida me leva, leva de mim um pedaço junto a ela. e me pergunto "será que eu deixei de gostar de todas essas pessoas?" e meu coração responde. "não, você deixou eles seguirem pois amou-as demais" e eu amo, amo desde criança, porque o amor que me resta, é o bastante pra me fazer feliz, pra te fazer feliz.
- Douglas Lenon
22 de novembro de 2009
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
- Caio Fernando Abreu
- Camila Paier

porque eu me imaginava mais forte. porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. não sabia que somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. é porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. e é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. é porque sempre tento chegar pelo meu modo. é porque ainda não sei ceder. é porque no fundo eu quero amar o que eu amaria – e não o que é. é porque ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele. é também porque eu me ofendo à toa. é porque talvez eu precisa que me digam com brutalidade, pois sou muito teimosa. é porque sou muito possessiva e então me foi perguntado com alguma ironia se eu também queria o rato para mim.
- Clarice Lispector in Perdoando Deus pertencente a obra "Felicidade Clandestina"
- Caio Fernando Abreu
- Caio Fernando Abreu

