sou cheia de manias. tenho carências insolúveis. sou teimosa. hipocondríaca. raivosa, quando sinto-me atacada. não como cebola. só ando no banco da frente dos carros. mas não imponho a minha pessoa a ninguém. não imploro afeto. não sou indiscreta nas minhas relações. tenho poucos amigos, porque acho mais inteligente ser seletivo a respeito daqueles que você escolhe para contar os seus segredos. então, se sou chata, não incomodo ninguém que não queira ser incomodado. chateio só aqueles que não me acham uma chata, por isso me querem ao seu lado. acho sim, que, às vezes, dou trabalho.
- Fernanda Young
Mostrando postagens com marcador FernandaY.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador FernandaY.. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Constando um terrível defeito (meu)
sou obsessiva. completamente. de certa forma, creio que essa característica tenha me ajudado a ser quem sou, mas ela é burra no que se refere ao amor. eu quero que o outro - qualquer um, qualquer um, qualquer um mesmo, quando esse um está disfarçado em nomes próprios - tenha a noção de como seria incrível viver aquele um-pouco-mais comigo. os meu desejos... os meus prazeres... os meus segredos... as minhas taras... as minhas reticências... mas a minha maior burrice é não perceber que não ter esses momentos não significa que nada disso exista. e existir é o melhor que tenho a fazer, ponto. posso estar bem comigo mesma. posso ir ou...
- Fernanda Young in Tudo que você não soube
- Fernanda Young in Tudo que você não soube
terça-feira, 25 de outubro de 2011
6º dia - "e o problema não é que eu não me integro, é que eu me desintegro." (Fernanda Young)

vivo de escritos se é isso que você queria saber. sou melodramático extremamente fervoroso. creio naquilo que não existe. ultimamente virei ateu do amor. sabe quando me perguntam: você acredita no amor? eu respondo: não, sou ateu. e quando perguntam: você acredita na canalhice do homem? até ateu acredita. nessas indas e vindas, tenho fé de que o seu amor existiu apenas porque um dia eu acreditei nele, fiz você fazer parte de um relacionamento, te coloquei na minha vida, te mostrei que o mundo pode ser sim um lugar legal, até você cagar com tudo. o primeiro basta veio logo depois de você dizer que não tem importância as coisas que eu faço, traduzindo: nada que eu fazia tava bom. e eu querendo ser mais, muito mais pra ver se você mudava, se você se empenhava, se você participava. acabou que eu não sou de ferro, e acabei me desintegrando. e tenho um pouco de vergonha de ter acreditado no amor. no nosso amor.
- Douglas Lenon
domingo, 23 de outubro de 2011
e quando falo da VERDADE, não penso em felicidade. penso em desistir dessas tentativas de mais-um-pouco: mais um pouco de conhecimento, mais um pouco de tempo, mais um pouco de calma.
- Fernanda Young in Tudo que você não soube
- Fernanda Young in Tudo que você não soube
sexta-feira, 14 de outubro de 2011

— mas qual é a vantagem de fingir que não há o problema?
— quando ele é insolúvel, a vantagem é que você não terá que resolver algo que não tem como ser resolvido.
— tipo o quê?
— tipo o fim do amor. para os mais jovens, o fim do amor pode ser resolvido com o término do casamento. inclusive, acho isso uma grosseria... isso que não entendo nesse assunto abismo... desculpa, filha, mas abismo é viver. não estamos à beira dele, estamos nele. e todo mundo age como se fosse heroi por contornar crises, por meio do debate, ou não. todo mundo vai fazer análise, justamente para não olhar para a pessoa ao lado e dizer: eu tenho vontade de vomitar quando escuto os teus passos. e isso não se diz numa conversa. você não pode virar para a mãe dos seus filhos e falar: “olha, eu não te odeio, te desejo tudo de melhor, mas eu não te amo mais”. sem que isso venha cheio de acusações. quando, no fundo, no fundo, amor não dura. e nem venham me falar que o que não dura é paixão. a ideia do amor está lá, faz parte da nossa cultura, essa tal transformação do amor. podemos dizer: eu não te amo como te amei, mas esse amor se transformou, e eu amo ver televisão com você, eu amo saber que, se eu tiver um treco e ficar todo cagado, você me limpará. Isso que é indiscutível. o amor não se transforma, ele se esgota, e a gente vai levando, por vários motivos. e, saibam, muitos desses motivos não são nada nobres.
- Fernanda Young in Tudo que você não soube
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
todos, seja qual for a vida que temos, vivemos felicidades e tristezas a cada instante. porque somos e não somos, queremos isso e não-isso. ao mesmo tempo. atrair e repelir, amar e odiar, viver e morrer, compreende? não comparo a minha vida a desse escritor, lógico. mas quero ter o direito a ter conhecido, também, a felicidade. e quero te contar quando e como.
- Fernanda Young in Tudo que você não soube
- Fernanda Young in Tudo que você não soube
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
sabe qual é meu sonho secreto?
que um dia você perceba que poderia ter aproveitado melhor minha companhia. que um dia imagine o quanto teria sido ótimo estar ao meu lado, mesmo quando eu estava gripada. no entanto, sei que você está a cada dia que passa mais fugidio e eu me limito a me surpreender com as circunstâncias da vida que me levaram a viver esse papel: o da mulher que quer mais um pouquinho. constrange-me existir nesse personagem Chico Buarque, dolorida, bonita, sendo assim, meio tonta, meio insistente, até meio chata. nunca precisei aborrecer ninguém antes, então, atuo por instinto, cansando-me facilmente e que fique claro que não é por estar você dessa forma, tão esquivo, que o desejo tanto. desejo-te porquê desejo. estúpida. latina. bethânia. ainda creio que você, quando eu menos esperar, possa me chegar com um verso em atitude.
- Fernanda Young in Aritmética
que um dia você perceba que poderia ter aproveitado melhor minha companhia. que um dia imagine o quanto teria sido ótimo estar ao meu lado, mesmo quando eu estava gripada. no entanto, sei que você está a cada dia que passa mais fugidio e eu me limito a me surpreender com as circunstâncias da vida que me levaram a viver esse papel: o da mulher que quer mais um pouquinho. constrange-me existir nesse personagem Chico Buarque, dolorida, bonita, sendo assim, meio tonta, meio insistente, até meio chata. nunca precisei aborrecer ninguém antes, então, atuo por instinto, cansando-me facilmente e que fique claro que não é por estar você dessa forma, tão esquivo, que o desejo tanto. desejo-te porquê desejo. estúpida. latina. bethânia. ainda creio que você, quando eu menos esperar, possa me chegar com um verso em atitude.
- Fernanda Young in Aritmética
quarta-feira, 17 de novembro de 2010

abri a porta, olhei ela me olhando, ela sorriu, e eu me joguei aos pés dela, em prantos. chorando como nunca havia chorado em minha vida. aí, pessoas passaram pelo corredor e América me ergueu do chão, trazendo-me para a cama. não deitamos – ela sentou e puxou minha cabeça para seu colo. para que eu chorasse mais, ou chorasse em paz, ou chorasse nela. foi o que fiz, e com tal intensidade que me senti descarregado. num choro que parecia uma reza em grupo, de tão sonoro. um mantra. e não me perguntem por que eu chorava, porque é claro que eu chorava por tudo. por todas as dores do Homem. num sucumbir de mártir. poderia, naquelas condições, representar Tiradentes, Jesus, qualquer um que morreu acreditando que valeria a pena. dar a vida por algo, isso é o amor. e, chorando daquele jeito vexaminoso, eu estava apenas amando América. com um amor tão forte que poderia salvar o mundo ao nosso redor.
- Fernanda Young in Aritmética
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
uma coisa é certa: pior do que foi não seria. do que foi, não, do que está sendo.
- Fernanda Young in Aritmética
- Fernanda Young in Aritmética
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
— eu sei. pros homens, gostar ou não gostar é algo tão imediato, tão simples, tão captável como uma foto. e não é assim. se eu gostei, teve toda uma gama de emoções contida nesse gostar. o medo de gostar, a dor de gostar, o gostar de não gostar, o forçar-me a gostar.
- Fernanda Young in Aritmética
- Fernanda Young in Aritmética
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
tem vontade de sacudir aquele corpo e dizer “ei, devolve. devolve o amor que tinha aqui. que preenchia essas lacunas no meu peito, deixando tudo menos frouxo em mim. devolve a liga, o ponto que faz do bolo um bolo, o nó da lã do tricô. me salva”.
- Fernanda Young in Aritmética
- Fernanda Young in Aritmética
sábado, 30 de outubro de 2010

— estamos cansados, eu sei. esse ano foi difícil, pra nós dois. só peço pra você decidir o que pretende da sua vida, Rigel. eu prometo que não vou complicar. eu vou sofrer, se você me deixar, claro. eu te amo. mas eu mudei o meu foco. não tenho mais a… capacidade de lidar com a hipocrisia. eu me intoxiquei. quero viver a realidade. agora é com você. você vai pensar e vai ter uma única obrigação comigo, ser honesto. com todos nós, inclusive com a figura, que nem quero saber quem é. se a gente sobreviver a isso, a gente pode sobreviver às outras coisas que estão por vir. porque eu não acredito mas numa caralhada de coisas em que eu acreditava. mas tenho certeza de que os grandes relacionamentos são resistentes. resta agora saber se o nosso amor é um grande amor.
- Fernanda Young in Aritmética
terça-feira, 26 de outubro de 2010
— ai. tenho medo de perder a memória.
— não perde. ela fica em algum lugar, sempre.
- Fernanda Young in Aritmética
— não perde. ela fica em algum lugar, sempre.
- Fernanda Young in Aritmética
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
desta maneira, refazendo-se. belamente, já que com sofrimento. completamente, pois ficando, enfim, inteira. e, quando cair de novo em depressão, vai saber que passa. dói, mas passa.
- Fernanda Young in Aritmética
- Fernanda Young in Aritmética
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
a vida humana é basicamente isso, não é? ferir e perdoar.
- Fernanda Young in Aritmética
- Fernanda Young in Aritmética
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
você é tosco e vaidoso,
eu sou grande e assustada.
você é homem.
eu sou homem
e mulher.
- Fernanda Young in Aritmética
eu sou grande e assustada.
você é homem.
eu sou homem
e mulher.
- Fernanda Young in Aritmética
segunda-feira, 11 de outubro de 2010

— eu não preciso de você. nem você de mim. essa é a verdade. e isso parece o fim do mundo, porque geralmente não há nada a ser feito se não for, a princípio, necessário. por isso, essa ansiedade da ausência. essa abstração. estamos com medo de perder o que já foi perdido. e a perda é aliviante, mas ainda nem sabemos disso. estamos livres. livres pra nos comprometer, se quisermos, mas sem nenhuma obrigação, se essa não for a nossa decisão.
amém.
- Fernanda Young in Aritmética
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Mariana segue olhando para Rigel, a pensar se ela precisa desse olhar para viver. chega á conclusão que não, não precisa. não será através dele que ela se tornará bonita ou inteligente. detém sua observação nas rugas que ele tem ao redor dos olhos, todas tão justificáveis. e repensa: eu preciso dele para ser? ele fecha os olhos, deixando parte do peso de sua cabeça cair sobre as mãos dela.
- Fernanda Young in Aritmética
- Fernanda Young in Aritmética
sábado, 2 de outubro de 2010
Courtney desistiu de Kurt, Hughes desistiu de Plath, John e Bob desistiram de Marilyn. as pessoas desistem das outras, assim é a vida.
- Fernanda Young in Aritmética
- Fernanda Young in Aritmética
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
ela não foi amoral. ela foi aquilo que fez: viveu um outro, tendo um outro, em busca de si mesma, fazendo para isso – e há outro jeito? loucuras têm de ser feitas; não para magoar alguém, mas para que haja algum sentido nesse existir. loucuras como as poesias. é preciso se viver poeticamente, e isso nada mais é do que abolir todos os códigos que regulamentam a nossa vida. aquilo que deve ser não existe. existe o bom gosto. existe a elegância. existem maneiras. mas não existem certezas. daí, quem é que pode julgar?
- Fernanda Young in Aritmética
- Fernanda Young in Aritmética
Assinar:
Postagens (Atom)