
quando Rodrigo me deixou, eu tinha em mente nunca mais me apaixonar. era uma terça-feira. quem deixa alguém numa terça-feira? depois de semanas você consegue voltar a sua vida normal, até ela ficar normal demais. eu precisava tanto dele, tanto. que não precisar foi o ato mais difícil de todos os tempos. "não precisar" dói porque faz da gente um ser mais forte. hoje a normalidade me persegue, e eu acabei esquecendo como é sofrer.
ele marcou tanto a minha vida, até hoje eu escrevo falando dessa praga. ele foi o remo mais bonito que eu encontrei e que combinou com o meu barco. mas conforme a gente cresce na vida, consequentemente o barco vira um navio e um navio não precisa de remos. e logo, eu não precisei mais de você.
tudo começou a ir mal depois que o nosso relacionamento se tornou sinônimo de desculpa. era desculpa porque você chegou atrasado, era desculpa porque você não andava presente, era desculpa por você sumir e não dar satisfações. até eu ficar farto de tanta desculpa. eu não queria mais ouvir um pedido desses, e você começou a pedir perdão. abusava de tanto pedi-lo. você nunca precisou pedir desculpas pra mim, você só precisava fazer diferente. tão difícil entender?
quando você tentou ser melhor, juro que faço o máximo pra não debochar de você, mas me irritou tanto, eu tinha medo de te descartar eu acho. tua vida se mostrava cada vez mais insignificante e eu ali do seu lado. merecia o trófeu de mister paciência? eu merecia.
odeio terminar mais um texto tentando falar das coisas boas que você tinha pra me oferecer e só saindo as magoas que restaram. te odeio por você ser você. mas se fosse outro, talvez eu não teria me apaixonado, mas com certeza teria me machucado menos.
- Douglas Lenon
29 de maio de 2011







