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quinta-feira, 19 de maio de 2011


fazer suas escolhas, assinar embaixo, pagar os preços... e não se lamentar demais. porque programamos o próprio destino a cada vez que, num tímido murmúrio ou num grande grito, a gente diz para si mesmo: "sim!"

- Lya Luft in Dizer “sim”, dizer “não” pertencente a obra “Pensar é transgredir”

terça-feira, 10 de maio de 2011

dizer "sim" a si mesmo pode ser mais difícil do que dizer "não" a uma pessoa amada: é sair da acomodação, pegar qualquer espada - que pode ser uma palavra, um gesto, ou uma transformação radical, que custe lágrimas e talvez sangue e sair à luta.

- Lya Luft in Dizer “sim”, dizer “não” pertencente a obra “Pensar é transgredir”

sábado, 30 de abril de 2011

o ponto mais cego é onde a gente não sabe quem disse "não" primeiro. e todos, ou os dois, deviam naquele momento ter dito “sim”.

- Lya Luft in Dizer “sim”, dizer “não” pertencente a obra “Pensar é transgredir”

quinta-feira, 21 de abril de 2011

acredito em pegar o touro pelos chifres, mas vezes demais fiquei simplesmente deitada e ele me pisoteou com gosto.

- Lya Luft in Dizer “sim”, dizer “não” pertencente a obra “Pensar é transgredir”

terça-feira, 12 de abril de 2011

portanto, escrevo para obter respostas que - eu sei - não existem... por isso continuo escrevendo.

- Lya Luft in Escrever, por quê? pertencente a obra “Pensar é transgredir”

domingo, 3 de abril de 2011


crise é bom para fazer pensar, ou repensar muita coisa. por exemplo, que a gente está vivo; tem responsabilidades; pertence a um grupo ou grupos, pelo menos a uma família; está imerso num círculo de afetos ou num meio profissional. lá influencia e é influenciado, é um pedacinho de humanidade, existe como ser pensante, amante, atuante, e todos os "antes" que a gente queira acrescentar.

- Lya Luft in Teorias da alma pertencente a obra “Pensar é transgredir”

quarta-feira, 30 de março de 2011

a aflição não é boa conselheira. (afobado, aliás, a gente vive - e ama - bem mal.)

- Lya Luft in Teorias da alma pertencente a obra “Pensar é transgredir”

sexta-feira, 25 de março de 2011

preciso admitir que a ambivalência nos salva de morrermos na poeira da mesmice. também admito que seria mais fácil ser sempre o mesmo, seria mais doce levantar cada manhã sem conflito e morrer enfim sem ter jamais duvidado.
mas não é tão simples. desculpem, mas não somos isso.

- Lya Luft in Legado pertencente a obra “Pensar é transgredir”

sábado, 19 de março de 2011

pode depois de tudo isso dar aquela vontade de fumar todos os cigarros nunca fumados, tomar todos os pilequinhos não tomados, sumir do mundo, passar um mês naquele flat na praia só olhando o mar e pensando bobagem...

- Lya Luft in Pode tudo pertencente a obra “Pensar é transgredir”

domingo, 13 de março de 2011

antes que a mãe chamasse, antes que o jardineiro viesse me buscar, eu me assustava e queria de novo o simples e o familiar. fantasia demais seria uma viagem sem volta? ninguém - nem eu mesma - me encontraria, nunca mais?

- Lya Luft in Mais infância pertencente a obra “Pensar é transgredir”

sábado, 5 de março de 2011


outras vezes, audaciosa, eu me afastava mais da casa e me deitava de costas na terra morna no meio de uns pés de milho no pomar. ver o céu daquele prisma, recortado entre as folhas como espadas, era espiar por muitas portas. a perspectiva diferente que dali, deitada, eu tinha do mundo e de mim mesma era como balançar na borda de um penhasco bem alto, acima do mar.

- Lya Luft in Mais infância pertencente a obra “Pensar é transgredir”

sexta-feira, 4 de março de 2011

amigo. amigo é uma pessoa que gosta da outra. daí é amigo. eu sou amigo da minha família e da família da nossa empregada. a gente devia ser amigo de todo mundo. mas às vezes não dá.

- Lya Luft in Dicionário para crianças pertencente a obra “Pensar é transgredir”

domingo, 27 de fevereiro de 2011

concluindo, seria preciso decretar, urgentemente, que o preconceito é doença, a infelicidade é proibida, e a burrice é crime inafiançável, amém.

- Lya Luft in Somos gente pertencente a obra “Pensar é transgredir”

sábado, 19 de fevereiro de 2011

mas também podiam ser aliviados ao se constatar: naquele momento, eu fiz o melhor que podia. ou essa pessoa, da qual tanto me ressinto, fez o melhor que sabia.

- Lya Luft in Anistia pertencente a obra “Pensar é transgredir”

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

que quando eu saio para o trabalho de manhã ela se despeça com alegria, sabendo que mesmo longe eu continuo pensando nela.

- Lya Luft in Canção dos homens pertencente a obra “Pensar é transgredir”

domingo, 6 de fevereiro de 2011


e que se erro, falho, esqueço, me distancio, me fecho demais, ou a machuco consciente ou inconscientemente, ela saiba me chamar de volta com aquela ternura que só nela eu descobri, e desejei que não se perdesse nunca, mas me contagiasse e me tornasse mais feliz, menos solitário, e muito mais humano.

- Lya Luft in Canção dos homens pertencente a obra “Pensar é transgredir”

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

e que o interessante na vida não são as respostas: são os enigmas.

- Lya Luft in Numa cidade distante pertencente a obra “Pensar é transgredir”

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

percebeu que não importava tanto o que havia lhe acontecido naqueles quarenta anos, mas o que ela estava fazendo com o que eventualmente acontecera. era uma oportunidade assustadora e maravilhosa: amadurecer não significava estagnar, mas reafirmar - ou reinventar - cada dia aquilo que mesmo inconscientemente ela se propunha como o sentido, o rumo e o tom de sua vida.

- Lya Luft in Numa cidade distante pertencente a obra “Pensar é transgredir”

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

se não posso corrigir os males do mundo, da minha reduzida condição pessoal, posso ao menos não colaborar para que ele se torne mais violento, mais mesquinho e mais cruel.

- Lya Luft in Testemunho pertencente a obra “Pensar é transgredir”

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

para viver bem devo eventualmente pensar na morte, não como um susto mas estímulo para ser melhor, para morrer bem devo curtir minha vida de um jeito positivo, não me enxergando como a última nem a primeira das criaturas, mas vivendo de modo que para alguém ao menos eu tenha feito alguma diferença.

- Lya Luft in Testemunho pertencente a obra “Pensar é transgredir”