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segunda-feira, 2 de julho de 2012

seja imprudente porque, quando se anda em linha reta, não há histórias para contar.

- Fabrício Carpinejar

quarta-feira, 27 de junho de 2012

não basta amá-la, tem que se amar por amá-la.

- Fabrício Carpinejar

domingo, 17 de junho de 2012

minha avó dizia: para ser feliz, a gente não precisa sair do lugar, a gente tem que ser o lugar.

- Fabrício Carpinejar

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

olho o céu com paciência. o azul não me cansa. uma ave voando não significa que está partindo. uma ave voando pode estar regressando...

- Fabrício Carpinejar

domingo, 6 de novembro de 2011

quarta-feira, 4 de maio de 2011

meu aniversário está enterrado em janeiro,
anônimo em alguma praia.

- Fabrício Carpinejar in Como no céu & Livro de visitas

domingo, 24 de abril de 2011

por amor, eu erro.
por ódio, eu erro.
pela amizade, eu erro.
não podei a fraqueza
quando podia.

- Fabrício Carpinejar in Como no céu & Livro de visitas

quarta-feira, 13 de abril de 2011

o deserto é filho único.
passei a infância
a sós com minha vaidade.
quis ensinar o vento
a galopar, a montar com as duas pernas
de um lado, mas ele corria
mais do que cavalo.

- Fabrício Carpinejar in Como no céu & Livro de visitas

terça-feira, 5 de abril de 2011

quem vive muito vai parecer pouco.
quem vive pouco vai parecer muito.

- Fabrício Carpinejar in Como no céu & Livro de visitas

terça-feira, 29 de março de 2011

não tínhamos bola para o futebol.
roubava o carpim da gaveta do pai.
amarrávamos papéis, panos e trapos.
sempre brinquei com a lembrança
da coisa mais do que a coisa em si.

- Fabrício Carpinejar in Como no céu & Livro de visitas

terça-feira, 22 de março de 2011


o que sobra é vício. o que falta é virtude. (…)

eu me importo com as pessoas
que vivem sem explicação.

- Fabrício Carpinejar in Como no céu & Livro de visitas

segunda-feira, 14 de março de 2011

quem não chegou a uma estação tarde de si
a pressentir que o último ônibus passou?

- Fabrício Carpinejar in Como no céu & Livro de visitas

terça-feira, 8 de março de 2011

há uma vida para errar
e uma eternidade
para se conformar com os acertos.

- Fabrício Carpinejar in Como no céu & Livro de visitas

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

mas quem não perde a si mesmo
não é capaz de se doar.

- Fabrício Carpinejar in Como no céu & Livro de visitas

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011


a dor é leal, não pede nada em troca.
acordo e tenho a memória da casa,
não a casa,
a memória da mulher,
não a mulher.
abandonar a si é coragem.
abandonar ao outro é covardia.

- Fabrício Carpinejar in Como no céu & Livro de visitas

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

não conto meus pesadelos ao acordar.
não termino mais uma frase inteira.

o começo de uma conversa é difícil
depois mais difícil se torna
quando ela aconteceu
sem começar.

- Fabrício Carpinejar in Como no céu & Livro de visitas

sábado, 12 de fevereiro de 2011

domino o impulso de sair
para fora da vida
para entrar cada vez mais nela.
o sopro que apaga a vela
reacende a chama.

- Fabrício Carpinejar in Como no céu & Livro de visitas

domingo, 6 de fevereiro de 2011

as montanhas são respeitadas
porque ninguém chega rápido até elas.
eu me facilitei, e me esqueceste.

- Fabrício Carpinejar in Como no céu & Livro de visitas

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

um pouco de raiva não me fará mal.
há frutos que apodrecem
por excesso de doçura.

- Fabrício Carpinejar in Como no céu & Livro de visitas

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

eu isolo os cabelos, ela ajeita as mechas negras;
eu sou verde, ela azul;
eu tenho o nariz de um dobrão espanhol,
ela alegra as frutas;
eu tenho os olhos renascentistas,
ela um olhar impressionista;
eu ando nos cantos dos caminhos,
ela solta os caminhos sem perceber;

eu me arrisco na arrebentação,
ela espera a visita do mar;
eu sou da meia-noite,
ela é do meio-dia;
minhas mãos são menores do que as dela,
suas mãos alcançam a chuva;
eu deito no lado esquerdo,
ela amplia o direito;
eu durmo de tevê acesa,
ela sonha com o rádio ligado;
eu esqueço moedas e passagens nos bolsos,
ela recolhe o resumo da roupa na máquina;
eu uso o telefone como orelha da porta,
ela é a chamada a cobrar;
quando distraído, eu faço poesia atenta,
quando atenta, ela faz poesia distraída;

eu tenho pés chatos e piso em falso,
ela enxerga duplo e aprecia em dobro;
eu danço fora da música,
ela dança com a música de dentro;
eu não sei fazer churrasco,
ela faz de conta que não precisa;
eu faço as contas,
ela enrola o terço na cama para dar sorte;
eu tomo café forte,
ela mede a fumaça com a colher;
eu chamo seu pai para consertar o chuveiro,
ela chama minha mãe para me confundir;
eu sou redundância,
ela é o eufemismo;

eu não uso aspas,
ela usa chapéu na praia;
eu leio estirado como uma chama,
ela lê com as pernas dobradas;
eu compro o fútil, ela compra o necessário;
eu me perco em lugares abertos,
ela se perde em lugares fechados;
eu falo sem parar,
ela ouve sem dormir;
eu prefiro estacionar nas esquinas,
ela me centra;
eu compro jornal,
ela é quem lê;

eu escapo dos deveres,
ela paga guardador de carro;
eu me visto sem olhar,
ela corrige o que não vi;
ela não fica doente,
eu adoeço quando estou nervoso;
ela pensa em tudo,
eu penso o que não sobra;
eu extravio nomes,
ela extravia rostos;
eu não guardo telefones,
ela memoriza a lista;
eu não canto,
ela me legenda o som;
eu erro na pronúncia,
ela é vento simultâneo;

depois do prazer, fico com insônia,
depois do prazer, ela quer dormir;
eu tenho um porão de lembranças,
ela tem um sótão;
eu entro nas recordações pelos fundos,
ela entra pela frente;
eu me alumbro com a mentira,
ela se deslumbra com a verdade;
eu não me repito,
ela imita sotaques;
eu faço amigos rápido,
ela exige convivência;
eu compro as verduras que não prestam,
ela cansou de me ensinar;
eu não sei contar piadas,
ela não gosta de piada;
eu imagino, ela desabafa;
eu fico calmo na tristeza,
ela explode de raiva;
eu alimento pressentimentos,
ela confia em fatos;
ela pede desculpas,
eu continuo acusando;

eu peço desculpas,
ela já esqueceu;
eu sinto ciúmes de velhos amores,
ela sente ciúmes de novos amores;
eu vejo a dor como uma trégua,
ela observa a dor como uma lacuna;
eu me interesso pelo objeto quando o perco,
ela se interessa quando o re-encontra;
eu sou obcecado,
ela é cautelosa;
eu sou perfeccionista,
ela é comovida;
eu improviso,
ela planeja;
eu fujo do aniversário,
ela ensaia o seu com antecedência;
eu puxo sua cadeira,
ela me seduz de lado;

eu sou uma cidade de baixo,
ela é a cidade vista de cima;
eu me vingo,
ela perdoa;
eu sou passional,
ela pacifica;
eu me hospedo quando ela viaja,
ela reside em minhas viagens;
eu acredito em Deus,
Deus acredita nela;
eu rezo ao sair de casa,
ela reza ao chegar;
eu escalo árvores,
ela rega relâmpagos;
nenhuma noite é como as outras,
as outras noites são dias inventados;
nossa risada se bate no escuro.

- Fabrício Carpinejar in Como no céu & Livro de visitas