você é minha melhor amiga e minha pior
perdoa minha insensatez e se vinga
me perturba o sono e me faz carinho
me confunde: agora pode, agora não pode
ás e coringa, me perturba e me acalma
me veste de trapos e dor
pró-pecados, contra virtudes
me mostra o caminho e o interrompe
me sacode e me faz sentar
você está do meu lado e não está
minha pior inimiga e minha melhor
- Martha Medeiros in Cartas Extraviadas e outros poemas
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
domingo, 6 de novembro de 2011
bipolar é pouco pra mim.
sou multipolar.
- Fabrício Carpinejar
sou multipolar.
- Fabrício Carpinejar
sábado, 5 de novembro de 2011
Egoísta (des)equilibrado medroso

preciso de alguém pra dizer que está tudo bem. que está tudo como deve estar, tudo no seu lugar. porque eu cansei de me suicidar dentro de mim todas as noites. quem precisa de colo quase na fase adulta da vida? eu. eu preciso. eu sou meio frágil, meio egoísta por escrever apenas de mim mesmo. escrevo sobre mim porque eu não sou outro alguém, eu só sei onde dói em mim. meio capitalista até esse estado de espiríto. isso tudo porque eu tenho que culpar alguém pra dizer que como eu estou nesses últimos dias não tem sido por minha causa, tem alguém que machuca muito mais e que não pode ser esse eu que sofre. sofro de distúrbio de personalidade multipla, quem escreve aqui hoje, não é o mesmo que vai pra aula amanhã, ou que vai trabalhar. droga, estou sendo um pouco sincero. sinceridade é falta de educação.
o que mais me intriga é eu querer saber quantas pessoas eu comporto dentro de mim. porque o mesmo que ama é totalmente diferente daquele que transa, o que sofre é totalmente diferente daquele que sorri, o que ouve Katy Perry — digamos assim, um popzinho desses, meio padronizado, o pop sem os exageros do pop — e dança até não conseguir parar em pé é o oposto daquele que ouve Coldplay tocando Violet Hill num pós-feriado. eu escrevo pra me entender e não pra se explicar, até porque eu não devo satisfação nenhuma aos meus medos e desejos.
meta do próximo ano: ser um pouco mais cara de pau pra não se machucar tanto. talvez se eu for igual a uns digamos 50% da população que é frigida em relação a sentimentos mesmo — sexo todo mundo gosta, ou quase todo mundo —, esses leves lapsos que me ocorrem é devido aquelas estrias que temos na alma sabe? e eu odeio estrias, mas na alma não funciona igual no corpo. só tem estrias na alma quem tem esperança.
hoje o sonho é largar tudo e morar bem longe. aonde não exista nenhum tipo de tecnologia super avançada. só contato físico porque eu não sei o que é isso faz tanto tempo! e eu não quero desistir, acima de tudo eu quero tentar, eu quero vencer. porque esse que está escrevendo agora não é o mesmo que começou a escrever isso tudo. quem escreve agora é quem tem esperança porque quem começou essa crônica não tinha esperança alguma, e isso tudo vem das palavras. que "o ato de escrever não é sofrido, sofrido é a vida", palavras da grande Martha Medeiros.
é agora ou nunca, preciso ser uma única pessoa nesse meu dia-a-dia porque estar em movimento a todo tempo requer equilíbrio e parte de mim nunca soube que isso existia. ou talvez a parte que sabia acabou se suicidando ontem a noite. ou talvez tenha sido um egoísta equilibrado medroso, o que morre sem querer contar como é ser equilibrado. ou talvez eu nem saiba como é ser equilibrado e só saiba disfarçar. o que eu sei fazer de melhor é disfarçar, tanto a dor como a alegria e acho que esse sou eu, o grande egoísta (des)equilibrado medroso conhecido como o mestre do disfarce.
- Douglas Lenon
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Constando um terrível defeito (meu)
sou obsessiva. completamente. de certa forma, creio que essa característica tenha me ajudado a ser quem sou, mas ela é burra no que se refere ao amor. eu quero que o outro - qualquer um, qualquer um, qualquer um mesmo, quando esse um está disfarçado em nomes próprios - tenha a noção de como seria incrível viver aquele um-pouco-mais comigo. os meu desejos... os meus prazeres... os meus segredos... as minhas taras... as minhas reticências... mas a minha maior burrice é não perceber que não ter esses momentos não significa que nada disso exista. e existir é o melhor que tenho a fazer, ponto. posso estar bem comigo mesma. posso ir ou...
- Fernanda Young in Tudo que você não soube
- Fernanda Young in Tudo que você não soube
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
— mas eu não pensava em sacanagem nenhuma. só queria ficar perto dele. no máximo, deitar abraçado com ele. na mesma cama. nem um beijo, nada. só um abraço, bem apertado. ridículo, ridículo. eu era meio retardado, acho. até uns dezoito anos não sabia nem o que era punheta, pode?
- Caio Fernando Abreu in Triângulo das águas
- Caio Fernando Abreu in Triângulo das águas
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
outro sinal de se estar em caminho certo é o de não ficar aflita por não entender; a atitude deve ser: não se perde por esperar, não se perde por não entender.
19 de agosto de 1967
- Clarice Lispector in Brincar de pensar pertencente a obra “A Descoberta do Mundo”
19 de agosto de 1967
- Clarice Lispector in Brincar de pensar pertencente a obra “A Descoberta do Mundo”
terça-feira, 1 de novembro de 2011

é o que está no contrato. e eu assino embaixo. melhor assim. muito melhor assim. tô super bem com tudo isso. nossa, nunca estive melhor. mas não faz isso. não me olha assim e diz que vai refazer o contrato. não faz o mundo inteiro brilhar mais porque você é bobo. não faz o mundo inteiro ficar pequeno só porque o seu chapéu é muito legal. não me deixa assim, deslizando pelas paredes do chuveiro de tanto rir porque seu cabelo fica ridículo molhado. não faz a piada do vampiro só porque você achou que eu estava em dias estranhos. não transforma assim o mundo em um lugar mais fácil e melhor de se viver. não faz eu ser assim tão absurdamente feliz só porque eu tenho certeza absoluta que nenhum segundo ao seu lado é por acaso.
- Tati Bernardi
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