sexta-feira, 23 de março de 2012

14º dia - "dessa vez era um amor mais realista e não romântico: era o amor de quem já sofreu por amor." (Clarice Lispector)

venho acreditando cada vez mais que o amor é só uma questão de sobrevivência. se você sobrevive ao fim de um, assim sobrevive ao fim de todos. aliás faz muito tempo que eu não vejo mais o amor romântico por aí, ou vejo umas falsificações do amor, uma vez que algumas pessoas vivem de mentira, como se não tivessem razão pra viver. chamo essa desvalorização de industrialização do amor, no final das contas o produto é o mesmo só muda a composição. amor mesmo vem acompanhado de uma conversa sobre o tsunami no Japão, e, de como seria se fosse eu quem estivesse lá quando isso aconteceu. quem já sofreu por amor entende quem nunca sofreu por ele, mas não acontece ao contrário. romantismo não é sinônimo de realidade, e aí que nos machucamos, e nos perdemos. realidade é quando você precisa de alguém pra te abraçar quando o amor se vai. não tem nada a ver com pessimismo ou até mesmo com uma visão triste das coisas como estão, só acho que o que fere mesmo é a falta de compreensão, a falta de um cafuné, a ausência do sorriso, o desapego. dói muito mais o excesso da falta do que o ódio da culpa. que a tristeza não vem do amor romântico ter nos deixado, e sim do amor realista que parecia tão real, mas era só romântico.

- Douglas Lenon

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