quinta-feira, 8 de março de 2012


mas quantas vezes a insônia é um dom. de repente acordar no meio da noite e ter essa coisa rara: solidão. quase nenhum ruído. e tomo meu café com gosto, toda sozinha no meu mundo. ninguém me interrompe o nada. é um nada em um tempo vazio e rico. e o telefone mudo. depois vai amanhecendo. vou até a janela e talvez eu seja a primeira do dia a ver o céu. o céu é meu, o sol é meu, a terra é minha! e sinto-me feliz por nada, por tudo.
20 de janeiro de 1968

- Clarice Lispector in Insônia infeliz e feliz pertencente a obra "A Descoberta do Mundo"

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