sexta-feira, 18 de maio de 2012

— resolveu aceitar aquele chá, Santiago?
— eu não me chamo Santiago - ele disse.
não afastou o corpo para que o outro entrasse. mas ele entrou. fechou a porta às suas costas. estendeu as duas mãos. tocou-o nos ombros. de frente.
— eu também não me chamo Pérsio. portanto não nos conhecemos. o que é que você quer?
ele sorriu. estendeu as mãos, tocou-o também. vontade de pedir silêncio. porque não seria necessária mais nenhuma palavra um segundo antes ou depois de dizerem ao mesmo tempo:
— quero ficar com você.
provaram um do outro no colo da manhã.
e viram que isso era bom.

- Caio Fernando Abreu in Triângulo das águas

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