a gente se entope de açúcar, não usa fio dental e depois vai tratar a cárie, se sentindo privilegiado por poder pagar um dentista. a gente aplaude a arrogância dos filhos e depois vai pagar a fiança na delegacia. a gente fuma três maços por dia e depois processa a indústria tabagista. a gente corre na estrada a 140 km/h, ultrapassa em faixa contínua e depois suborna o guarda, na melhor das hipóteses. ou então morre, ou mata – na pior delas.
- Martha Medeiros in Depois se vê pertencente à obra “Feliz
por nada”
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