quarta-feira, 29 de agosto de 2012


(06)

preciso contar a vocês que se viram, jantando em uma sexta-feira de céu estrelado na churrascaria Barranco. ele e a namorada, ela e o namorado dela. ambos chegaram a 200 mil batimentos por minuto ao trançar os olhos teimosos em olhar, mas nenhum dos dois lamentou, de alguma forma, estar sentado na mesa errada.

ela ainda lembra dele quando alguém chupa seu dedão do pé. ele se recorda dela toda vez que beberica um drinque com abacaxi e leite condensado. os dois sabem que é perda de tempo tentar esquecer. que sentir saudade não significa que melhoraram como pessoa, que agora magistralmente seus temperamentos são compatíveis e o correto seria viver aquilo tudo de novo, do êxtase à dor.

significa apenas que foi bom, que foi inesquecível. e que qualquer amor que força as cordas vocais a produzirem um eu te amo não tem fim, mesmo acabando sempre do mesmo jeito, dividido por dois.

- Gabito Nunes in O fim (do que não tinha fim)

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