quinta-feira, 2 de agosto de 2012


ou me quer e vem, ou não me quer e não vem. mas que me diga logo pra que eu possa desocupar o coração. avisei que não dou mais nenhum sinal de vida. e não darei. não é mais possível. não vou me alimentar de ilusões. prefiro reconhecer com o máximo de tranquilidade possível que estou só do que ficar a mercê de visitas adiadas, encontros transferidos. no plano REAL: que história é essa? no que depende de mim, estou disposto & aberto. perguntei a ele como se sentia. que me dissesse. que eu tomaria o silêncio como um não e ficaria também em silêncio. acho que fiz bem.

não só em relação a ele, mas a muitas outras coisas, quero que daqui pra frente a vida seja hoje. a vida não é adiável. Marilene sempre soube disso, foi nisso que pensou ao deixar o Índio. anyway, me dói a possibilidade de um não, me dói a possibilidade de um silêncio, me dói não saber de que forma chegar a ele, sacudi-lo, dizer me olha, me encara, vamos ou não vamos nessa? bueno, os dados estão lançados, e agora só me resta lavar as mãos sujas do sangue das canções.
20 de maio de 1983

- Caio Fernando Abreu in “Cartas” à Jacqueline Cantore

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