domingo, 8 de maio de 2011

Pra falar de nós, amor


— hoje tem churrasco na casa do Rafa, vamo?
— churrasco na casa do Rafa de novo?
— já percebeu que tudo é motivo pra briga? nada nunca tá bom. às vezes parece que o homem da sua vida de três anos atrás virou o caminhoneiro que vem te ver uma vez a cada dois meses.
— o caminhoneiro consegue ser mais original, talvez ele saiba o que fazer. você tem noção de qual dia é hoje?
— dia 8 de maio não é?
— você é sempre sínico assim mesmo, ou tá querendo me irritar?
— o que eu fiz de errado agora meu deus?
— três anos atrás naquela praça, era mais ou menos seis horas da tarde, e um cara não muito interessante, sentou do meu lado, e perguntou o que eu achava do amor, na hora eu fiquei sem reação, nunca havia visto alguém se aproximar assim de outro alguém, eu disse: amor? não sei te responder agora, assim na lata. e aquele cara nunca mais me perguntou sobre o amor outra vez.
— tá insinuando que eu esqueci do nosso aniversário de namoro?
— não, longe de mim.
— então o que quer que eu faça?
— quero que seja aquele mesmo homem, aquele o qual eu me apaixonei. é tão difícil assim ser ele, eu quero me apaixonar por você de novo, cadê nossa essência? nossa estrela no céu, uma que eu chamei de minha, e outra que você chamou de tua, então demos o nome da constelação de amor. eu não sei mais quem é você, talvez você tenha sido isso o tempo todo, e quis me impressionar naquela praça, naquele primeiro mês.
— o amor é um nós que esqueceu de estar aqui agora. sei que estive ausente, mas não somos os mesmos à muito tempo. mas eu te amo. eu também não sei mais quem eu sou, mas eu posso afirmar com toda a certeza do mundo que é você quem eu quero. desculpa se um churrasco no Rafa não é suficiente, na verdade eu achei que depois do primeiro ano de namoro a gente nem contasse mais os dias. pensei que começasse outro significado depois.
— nós temos tudo o que precisamos, o amor maior é o que a gente inventa depois de um ano de pura paixão. sabe o que eu amo de verdade, quando você fecha os olhos e conta uma piada ruim no domingo a noite. e me faz pensar se existe alguém mais feliz no mundo nesse momento, porque se você calcular o meu riso bobo com a sua piada ruim, nós viramos o casal mais fascinante de todos os tempos.
— eu achava que você odiava minhas piadas.
— eu odiei quando você parou de contá-las.
— o que você acha do amor?
— eu passei muito tempo achando o amor entende? eu pensei muito na sua pergunta durante todo esse tempo. eu não acho mais o amor desde aquele dia na praça. a pergunta que você deveria me fazer é se o amor me achou. e nem precisa perguntar, porque ele me achou, ele simplesmente me pegou no colo e me trouxe pra casa.
— passamos muito tempo achando coisas do amor, e pouco tempo fazendo ele. esquece esse churras na casa do Rafa. e vem fazer amor com o teu homem, aquele que te amou desde o primeiro dia, desde a primeira palavra que você me disse.
— amor?
acenando com a cabeça que sim, ia dizendo de mansinho:
— amor tranquilo, com sabor de fruta mordida.

- Douglas Lenon
08 de maio de 2011

(Última frase, percente a música de Cazuza - Todo amor que houver nessa vida)

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