eu era uma coisa pequena, rastejante e sem Deus, caminhando no escuro lamacento à procura apenas de qualquer gesto como o toque de uma mão humana, devagar na minha face. ele tocou. calçou os sapatos, apanhou o chapéu. eu quis dizer que poderia ocupar o segundo quarto — a segunda cama, a segunda vida — talvez para sempre. eu estava tão vivo que qualquer outra coisa também viva e próxima merecia minha mão estendida, oferecendo. estendi a mão. ele não podia aceitá-la. eu não devia estendê-la.
- Caio Fernando Abreu in Triângulo das águas
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