terça-feira, 7 de junho de 2011

Por onde anda o equilibrio?


o teu problema é acreditar muito no amanhã. amanhã talvez eu nem reconheça mais você. o que hoje foi amor, amanhã pode ser desilusão. acredito no fim das coisas que valeram a pena. fica sempre a dor do que podia ser, e o alivio do que não poderia ter sido. a questão é que nada tá bom, e a gente sempre quer mais, quando temos mais, não sabemos o que fazer com esse mais. e aí será que existe mesmo gravidade? alguma coisa que fixa, que deixe tudo igual, que divida em partes iguais pra todos. que nos torne normais.
nada vai ser tão bom ao ponto de te fazer ganhar o chão. sim ganhar o chão: crônica digital, Fernanda Mello, alguns de vocês entendem o que eu falei. nada vai ser tão ruim ao ponto de te fazer largar tudo. o equilíbrio é ridículo. porque a gente nunca esta perfeitamente equilibrado, estamos em constante movimento, e muitas vezes estamos no chão. superequilibrada é a natureza, a gente cai no segundo encontro por ter pensado - bem estupidamente, vamos falar a verdade né - que o segundo encontro seria tão mais impressionante que o primeiro.
feliz mesmo é quem não espera nada do mundo, e segue a vida de cabeça erguida. chorar não leva e não traz ninguem de volta, mas acredite se quiser, equilibra-nos. porque a gente pende pro chão quando estamos tristes, choramos pra soltar todo o peso, a raiva, a magoa, e começamos a se erguer, logo aí começa o equilibrio, o qual a gente tanto fala, o qual a gente nunca vê.

- Douglas Lenon
07 de junho de 2011

Um comentário:

  1. O amor é, por vezes, uma úlcera. Amortiza-nos no conforto crédulo da casca, sustenta o irresistível discurso de substanciar ele mesmo a melhor, mais prazerosa e principalmente, mais segura e garantida rota de fuga, até que nos descasca sem aviso prévio e nos expõe as latências e impetuosidades da vida lá fora. Numa única vida, a mortalidade se gaba de reconhecer-se múltipla de inícios, percursos e capítulos finais. Multifacetárias existências oportunizadas numa só, seja para o triunfo ou o flagelo de seu destinatário. No fundo, um dia todos somos ou seremos bananinhas descascadas, expostas às decepções, frustrações e medo. O talento é reconstituir-se apesar da vulnerabilidade da massa: susperar a casca.
    Estou a seguir-te.

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