segunda-feira, 21 de novembro de 2011

— para vermos o azul, olhamos para o céu. a Terra é azul para quem a olha do céu. azul será uma cor em si, ou uma questão de distância? ou uma questão de grande nostalgia? o inalcançável é sempre azul.
— se eu fosse o primeiro astronauta, minha alegria só se renovaria quando um segundo homem voltasse lá do mundo: pois também ele vira. porque “ter visto” não é substituível por nenhuma descrição: ter visto só se compara a ter visto. até um outro ser humano ter visto também, eu teria dentro de mim um grande silencio, mesmo que falasse. consideração: suponho a hipótese de alguém no mundo já ter visto Deus. e nunca ter dito uma palavra. pois, se nenhum outro viu, é inútil dizer.
19 de agosto de 1967

- Clarice Lispector in Cosmonauta na terra pertencente a obra “A Descoberta do Mundo”

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