segunda-feira, 17 de maio de 2010

Doença individual


quando a respiração vai começando a ficar assim meio pesada, eu começo a sentir que tudo tem seu tempo, e que infelizmente todo tempo é pouco. tenho tantas pessoas junto à mim, e tantas "não pessoas" também que vez ou outra me perco, e, acabo achando que não tenho ninguém. no final do dia todo mundo tem com quem compartilhar alguma coisa, eu compartilho comigo, todo mundo tem uma novidade, dizer que uma estrela nova acabou de nascer, eu conto meus segredos pra mim mesmo. parece que ninguém no mundo entende como é viver assim, ninguém no mundo consegue sentir a dor que só você mesmo sente. se essa dor fosse de qualquer outra pessoa, acho que ela não aguentaria, desistiria e fim, não consigo imaginar qualquer outra possibilidade de cura pra essa doença de único ser, que é carregar uma dor individual, nem mesmo a ciência explica o que é a dor que cada ser humano trás consigo.
se conseguiu ler até aqui, eu espero que você tenha a quem contar seus segredos, a quem compartilhar suas conquistas, eu ando meio assustado, esse medo de morrer sozinho me assombra a cada dia que passa, medo de morrer e ninguém notar que você morreu, e ninguém falar que você foi um cara legal, que você vivia de bem com a vida, medo de morrer sem ser notado, medo de morrer e não perceber que morri, que quando der por mim, já estou ali — quebrado, levado, morto, medo de me abraçar pra não morrer de frio. não precisa ser super herói pra acabar com esse meu medo — ou nosso medo, eu só preciso que você faça algo por mim, que se não foi na vida, que seja na morte.

- Douglas Lenon
17 de maio de 2010

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