segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Pra lugar nenhum

tem tanta coisa engasgada aqui, coisas que eu não consigo falar nem pra mim mesmo, faz um tempo que não consigo nem ao menos me compreender, os pensamentos já não fazem tanto sentido como faziam antigamente, ando meio sem rumo, meio sem vida. me faz falta pensar em outro alguém, porque pensar no mesmo alguém o tempo todo é cansativo, é exaustivo. de todas as perguntas que eu tenho pra fazer, tenho uma em especial: como o ser humano pode chegar a ser tão burro, ao ponto de pensar em alguem que nem se quer se importa com o que ele pensa ou deixa de pensar?
eu fiz uma bagunça com a minha vida, fui colocando tudo em um saco, e quando achei que o saco estava muito pesado, quis parar e tirar aquilo que já não tinha mais necessidade de manter dentro, então eu abri, vi nele coisas que eu já tinha me esquecido, que eu nem fazia tanta questão assim de lembrar. bateu aquela nostalgia, quis fechar logo o saco e carregar do jeito que estava, porque a primeira coisa que eu ia tirar já ia me fazer falta, imagina as outras que tinham por vir. então segui mais um pouco pelo meu caminho e fui colocando mais coisas dentro do saco, e esquecendo do que tinha dentro, fui dando valor — mais valor — para as novas coisas, e acabei me esquecendo que você deve regar as plantas todas do mesmo modo.
semana passada eu resolvi abrir o saco, resolvi olhar o que tinha dentro, achei uma carta que você me mandou, não é aquelas cartas que mandam por postais ou algo do gênero, mais um texto que você escreveu e me mandou dizendo: é pra você. quando li pela primeira vez, meio que li com tanta alegria que nem me dei conta de que a carta terminava dizendo: seja feliz. hoje lendo isso fiquei assim, mais sem rumo ainda, mais cansado. pensa bem no que você leva contigo, tem tanta coisa mal resolvida, tem tanta dor, que em vez de colocar no saco que você leva, coloca no saco furado, guarde o que foi bom, seja curável.

- Douglas Lenon
25 de janeiro de 2010

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