quinta-feira, 29 de abril de 2010

após esse dia, nunca mais a vi, até que nos reencontramos — sendo impressionante que "nunca mais" possa ser usado desse jeito, "nunca mais até que...". mais impressionante do que isso só mesmo ver uma pessoa numa festa, achá-la patética, e tempos depois a estarmos amando, para tempos depois não estarmos mais. essa incoerência do amor quando revisto. penso muito nisso, mais do que necessário. em como é "desconcertante rever um grande amor". você olha pra ele e não sabe onde foi parar aquilo tudo que deveria estar eternamente ali. onde vai parar o sempre quando sempre acaba? claro, "que seja eterno enquanto dure", e então não é eterno, pois a eternidade é infinita e finito é o amor, não é isso? é. contudo, pensando sob outro aspecto, o que senti por ela ainda existe, uma vez que existiu naquele tempo e voa por aí em sua velocidade da luz. pertencendo também ainda a mim o verbo que preencheu a lacuna desse vácuo. o verbo que eu disse diznedo "eu te amo". e se disse é porque era, e portanto é, já que a ideia dessa ação persiste.

- Fernanda Young in O Efeito Urano

2 comentários:

  1. Eu gosto muito da F Young, mas não conhecia esse texto, achei mágico o é "desconcertante rever um grande amor". você olha pra ele e não sabe onde foi parar aquilo tudo que deveria estar eternamente ali.
    Muito verdadeiro, muito bom!

    beijos

    Nanda

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  2. é do Efeito Urano, livro muito bom por sinal. e me identifiquei demais com esse trecho.
    beeijos

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