quinta-feira, 22 de abril de 2010

Chuva me lembra abraço

— meu, que saudade de ti!
— ah, também tava morrendo de saudades de ti. teu lugar ta guardado, aqui.
— lá vem você com essa história de novo.
— tá chovendo, e sei lá, chuva me lembra abraço. que louco não? parece carência da minha parte.
— chuva me lembra pés molhados, que me lembra chulé.
— até desse teu lado nojento de falar as coisas eu gosto. mas e aí lembro que você me falou que dessa vez queria dar um tempo pra se conhecer, conseguiu?
— não, sabe que por mais que você tente, você não consegue, tem sempre algo dentro de nós, que a gente não vai entende, que a gente nem mesmo conhece.
— então peraí faz quanto tempo que você mora dentro de mim? porque talvez você seja algo que eu conheço, mas não consigo entende.
— ah pare de me deixar encabulado.
— ok, eu faço só pra te provocar mesmo. mas eu queria dizer de novo antes que você vá embora que eu senti e sinto tanto a sua falta.
— eu só to dando meu sinal de vida como sempre. mas um dia isso vai acabar, não se preocupe.
— e se não acabar por aqui, e se continuar amanhã, depois e depois e depois e depois... e se eu te amar pra sempre?
(silêncio)
— você ta ouvindo?
— o que?
— a chuva.
— você ta sentindo?
— o que?
— o abraço.

- Douglas Lenon
22 de abril de 2010

3 comentários:

  1. Perfeito, não tem como não se encontrar, de alguma forma, nesse texto. Me derreti lendo.

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  2. ah que bom que gostou, fico feliz quando as pessoas vasculham pelo meu blog, e se identificam com um texto, volte mais vezes ok. *-*

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