quinta-feira, 15 de abril de 2010


espalma as mãos sobre o teclado da máquina. bate, leve. podia escrever um poema. não. recusa mesmo essa espécie de alívio. não quer a cor. prefere o dilaceramento cada vez mais intenso, mais insolucionado. precisa sofrer e morrer muitas vezes por dia para sentir-se vivo. chegara à constatação de que era só, único, e que devia bastar-se a si mesmo, e justamente por isso precisava de uma outra pessoa. os grãos de areia nunca se tocam. mesmo quando juntos há entre eles uma espécie de carapaça que não os deixa tocarem-se. jamais um núcleo toca outro núcleo.

- Caio Fernando Abreu

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