sábado, 4 de setembro de 2010

Desacredito do teu ciume


não é ciume, você não teria ciume de mim, você poderia sentir qualquer outra coisa, menos ciume. teu ciume pode ser de alguma roupa minha que eu sou apegado. de um disco. de uma música. mas ciume de pessoas, acho que não. nunca dei motivos. lógico que comentários são indispensáveis, é da minha natureza, é da tua natureza. mas eu raramente comentei de alguém pra você, posso ter comentado na sua frente, mas não pra você. sabe do que mais, antes me ver comentando na tua frente, do que falando para os sete ventos por aí.
eu acredito na nossa casa ainda. burrice? eu sei. ver os hamsters pulando pedindo comida, pedindo carinho. eu acredito no você bravo me dizendo que não é assim que se esquenta um arroz e que essa vai ser a última vez que você vai me explicar. eu acredito no você sincero dizendo que não tem ninguém no mundo com o coração do tamanho do meu. eu acredito no você carente me pedindo pra ficar mais um pouco, que está tarde pra sair nesse frio e que falta pouco pra nossa casa ficar pronta. eu acredito na tua gargalhada alta, no teu sorriso sincero, no teu rosto limpo. eu acredito.
mas não me diz que é ciume. porque eu sei que não é. tudo menos ciume, diz que não me ama mais, diz que deu o que tinha pra dar, diz que vai viajar e não sabe quando volta. mas não diz que é ciume. ciume de que? ciume de quem meu deus?

- Douglas Lenon
02 de setembro de 2010

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