se nem a estabilidade e a instabilidade nos tornam livres, aceitemos que poder escolher a própria prisão já é, em si, uma vitória. nós é que decidimos quando seremos capturados e para onde seremos levados. é uma opção consciente. não nos obrigaram a nada, não nos trancafiaram num sanatório ou num presídio real, entre quatro paredes. nosso crime é estar vivo e nossa sentença é branda, visto que outros, ao cometerem o mesmo crime que nós – nascer – foram trancafiados em lugares chamados analfabetismo, miséria e exclusão. brindemos: temos todos, cela especial.
- Martha Medeiros in A Prisão de cada um pertencente a obra "Non-stop"
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