sexta-feira, 17 de setembro de 2010

“talvez eu não perceba, mas devo ter conseguido coisas boas daquele amor. ele era engraçado. ele era esquisito. ele dizia que eu era linda. e me fazia ter coragem. ou melhor: fazia-me ver a coragem que há em mim. é, que bom. hum, que delícia. saber que fui, que sou capaz de pegar um carro e ir até um lugar, sordidamente higienizado, e dar. eu dei. eu dou. eu gosto de dar. presentes, sorrisos, bons assuntos. adoro propiciar boas histórias. fazer pessoas rirem. ou não: fazer as pessoas não acharem graça alguma. perturbar. surpreender. fazer sofrer. ora, eu dou. dou, porque acho que vivo arte. sou arte. mesmo quando ninguém me vê. quando estou com o meu pijaminha quadriculado, branco e preto, de flanela. sou arte, agora, nesse instante.”

- Fernanda Young in Aritmética

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