sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais — por que ir em frente? não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.

- Caio Fernando Abreu

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