quinta-feira, 25 de março de 2010

No silêncio, eu ouço o barulho que a gente faz


há pouco tempo atrás eu era só um compositor de araque, fazia músicas pra mim mesmo. dizendo e não dizendo o que se passava comigo, mais hoje tendo se passado mais de meio ano eu posso re-contar a história mal contada. era julho e eu vi alguem na plateia, pô eu era só um compositor e nada mais. ela tinha olhos de mel, um sorriso inacreditável, uma pele excepcional, e nem o nome dela eu perguntei. eu sei que ela tinha um rosto, mais nada além disso. a partir daí eu comecei a compor músicas pra ela, mas o que eu não sabia — ou sabia, era que eu não sabia cantar. eu tinha todas as notas das músicas no meu corpo feita para um rosto na plateia, ela sabe que eu existo porque não tirei os olhos dela em momento algum, mais além dela saber que eu existo, eu queria tocá-la. e como minha boca não pode responder por mim, toda noite meu corpo canta pra ela.

- Douglas Lenon
25 de março de 2010

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