terça-feira, 23 de março de 2010

Na porta de casa


— eu vim buscar as minhas roupas que eu disse que viria buscar depois.
— então pode dar meia volta, eu já recolhi tudo que era seu e mandei pra tua menina na casa dela.
— por que você fez isso? e você ainda me chama de infantil.
— você não me entendeu.
— como assim?
— eu já recolhi tudo que era seu e mandei pra tua menina. - repito.
— sim, você já disse isso, eu não consigo entender.
— até porque você nunca me entendeu mesmo não é? eu entreguei pra ela tudo que era seu, até os presentes que ganhei de ti, desde os abraços que você me deu até a vida que você me prometeu. então a única coisa que tem aqui que você um dia poderia ter levado sou eu.
— a gente tinha tudo pra dar certo, mas..
— mas eu faço dramas demais, e eu não sei competir.
— não era isso que eu ia dizer.
— mas é isso que você pensa. agora é minha vez de ser infantil, bater o pé e não querer nunca mais te ver, ou seja, vai buscar o que é teu, e eu não to falando das tuas roupas.
vou fechando a porta, deixando que o vento leve as minhas palavras. então ele empurra a porta levemente e diz:
— me deixa tentar de novo? eu prometo que vai ser diferente, eu me prometo a você.
— de novo? tudo isso de novo. já não da mais pra acreditar.
— me desculpa, eu te amo de uma maneira que eu não sei explicar, e às vezes te machuco.
— mas eu não quero tudo de novo, tudo de novo ia ser repetitivo demais, iria doer demais.

- Douglas Lenon
23 de março de 2010

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