quarta-feira, 25 de agosto de 2010

olho para trás e vejo aquela menina que queria entender tudo, com medo de que não coubesse tamanha quantidade de informação dentro de si. coube e ainda cabe. e quanto mais entra, mais sobra espaço para a dúvida. compreendo hoje que nunca entenderei a morte, os sonhos, a sensação de dejá-vu e as premonições. nunca entenderei por que temos empatia com uma pessoa e nenhuma com outra. não entendo como o mar não cansa, nem o sol. não compreendo a maldade, ainda que a bondade excessiva também me bote medo. por que os hormônios femininos nos deixam tão vulneráveis e nossa pele combina mais com a de um homem do que com a de outro?

- Martha Medeiros in Crônica do incompreensível pertencente a obra "Non-stop"

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