quarta-feira, 17 de novembro de 2010


abri a porta, olhei ela me olhando, ela sorriu, e eu me joguei aos pés dela, em prantos. chorando como nunca havia chorado em minha vida. aí, pessoas passaram pelo corredor e América me ergueu do chão, trazendo-me para a cama. não deitamos – ela sentou e puxou minha cabeça para seu colo. para que eu chorasse mais, ou chorasse em paz, ou chorasse nela. foi o que fiz, e com tal intensidade que me senti descarregado. num choro que parecia uma reza em grupo, de tão sonoro. um mantra. e não me perguntem por que eu chorava, porque é claro que eu chorava por tudo. por todas as dores do Homem. num sucumbir de mártir. poderia, naquelas condições, representar Tiradentes, Jesus, qualquer um que morreu acreditando que valeria a pena. dar a vida por algo, isso é o amor. e, chorando daquele jeito vexaminoso, eu estava apenas amando América. com um amor tão forte que poderia salvar o mundo ao nosso redor.

- Fernanda Young in Aritmética

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