sexta-feira, 26 de novembro de 2010


tenho medo de te ferir. mas acho que precisamos “falar seriamente”. desculpe, mas acho que sim, sem fantasia, sem comicidade. me pergunto sempre se você não teceu em volta de mim uma porção de coisas irreais — se você não estará projetando em mim qualquer coisa como um príncipe encantadoesperando a minha volta como quem espera a salvação. você diz que me ama. eu digo que você não pode amar a uma pessoa com quem transou há três anos atrás, e que viu rapidamente num aeroporto, e que escreveu e recebeu cartas durante um ano. Verinha, sei lá, amor a gente transa cara a cara, corpo a corpo. não sei se te amo. saberei isso quando a gente se encontrar outra vez e começar a transar, e der certo ou não.

- Caio Fernando Abreu

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