quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

então não podia eu me entregar desprevenida ao amor? de que estava Deus querendo me lembrar? não sou pessoa que precise ser lembrada de que dentro de tudo há o sangue. não só não esqueço o sangue de dentro como eu o admiro e o quero, sou demais o sangue para esquecer o sangue, e para mim a palavra espiritual não tem sentido, e nem a palavra terrena tem sentido. não era preciso ter jogado na minha cara tão nua um rato. não naquele instante.

- Clarice Lispector in Perdoando Deus pertencente a obra “Felicidade Clandestina”

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