então não podia eu me entregar desprevenida ao amor? de que estava Deus querendo me lembrar? não sou pessoa que precise ser lembrada de que dentro de tudo há o sangue. não só não esqueço o sangue de dentro como eu o admiro e o quero, sou demais o sangue para esquecer o sangue, e para mim a palavra espiritual não tem sentido, e nem a palavra terrena tem sentido. não era preciso ter jogado na minha cara tão nua um rato. não naquele instante.
- Clarice Lispector in Perdoando Deus pertencente a obra “Felicidade Clandestina”
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