
talvez eu tenha que chamar de "mundo" esse meu modo de ser um pouco de tudo. como posso amar a grandeza do mundo se não posso amar o tamanho de minha natureza? enquanto eu imaginar que "Deus" é bom só porque eu sou ruim, não estarei amando a nada: será apenas o meu modo de me acusar. eu, que sem nem ao menos ter me percorrido toda, já escolhi amar o meu contrário, e ao meu contrário quero chamar de Deus.
- Clarice Lispector in Perdoando Deus pertencente a obra “Felicidade Clandestina”
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