quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Daquela janela que eu te olhava


hoje cedo indo caminhar na praça, um amigo do meu ex-namorado me trouxe um papel, eu tava correndo, dando minhas voltas como de costume, tanto na praça, como na vida. de repente, ele me parou e me entregou um papel e disse "guarda o papel, não lê aqui não, ninguém vai querer te ver chorar às 10 horas da manhã de uma terça-feira, vai para casa." eu me assustei com cada palavra que ele disse, nunca conversamos, davamos bom dia ou boa tarde, e ele vem me traz um papel dizendo essas palavras o que faz a gente pensar, enfim, fui correndo para casa.
cheguei em casa as pressas, correndo, atropelando todo mundo, me tranquei no meu quarto, sentei na minha cama, totalmente pensativo, e comecei a ler o papel. tava escrito com um letra que eu reconhecia de olhos fechados, olhei para o início do papel, o nome do meu ex-namorado, o que estava escrito era mais ou menos assim:

hoje, dia 17 de agosto de 2010, eu consegui perder a pessoa que mais me amou em toda minha vida, a pessoa que mais cuidou, mais se preocupou, mais pensou em mim do que eu mesmo. não quero que você me entenda, e eu não quero pedir perdão de novo, não tem perdão para o que eu te fiz passar. hoje eu estou sumindo da sua vida para o teu bem, para você seguir e encontrar alguém que tenha crescido, porque tu me conhece, sabe que eu sou um cara infantil, que eu erro tentando acertar às vezes. mas quero que deixe guardado em algum lugar, as manhãs que eu ficava te olhando dormir da janela, como a coisa mais bonita do mundo se resumia a nada quando eu via você dormindo. o teu jeito de ficar na ponta dos pés para me beijar, eu decorava cada movimento seu, mas sempre tive medo de me entregar. eu nunca fui o suficiente para você. com todo meu carinho. amor.

terminei de ler aos prantos, quem diria que ele foi um homem um dia, mas não foi homem de me entregar a carta. cansei desses homens pela metade, porque o melhor amor do mundo, esse que a gente tem por nós, esse que a gente não esquece, nao precisa de amores à prazo, ele precisa de nós, me ocupei tanto nesses últimos quatro meses comigo, que se fosse naquele mês de agosto essas palavras iriam mexer comigo. mas é janeiro, e eu pedi paz para esse ano, lembra? não, tu não lembra, comecei o ano sem você.

- Douglas Lenon
03 de janeiro de 2011

Um comentário:

  1. Perfeito! Gostei muito³ deste texto (e de alguns outros também).

    Abraço
    Bruno Leal

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